Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2023
Paciente masculino, 47 anos de idade, procura atendimento médico queixando-se de evacuações com sangue de início há 3 dias. Relata eliminação de pequenas quantidades de sangue vermelho vivo, que pouco se misturam com a fezes. Nega febre. Nega diarreia. Nega dor abdominal. Nega trauma. Fez tratamento para câncer de próstata há 3 anos com radioterapia e cirurgia. Ao exame físico: bom estado geral, corado, hidratado. Sem sinais de choque hemorrágico. Toque retal com esfíncter normotônico, sem tumorações alcançáveis, com sangue vermelho vivo em dedo de luva. A principal hipótese diagnóstica é:
Sangramento retal vermelho vivo + histórico de radioterapia pélvica → Retite actínica até prova em contrário.
A retite actínica é uma complicação comum da radioterapia pélvica, especialmente após tratamento para câncer de próstata. A radiação causa inflamação e dano vascular na mucosa retal, levando a sangramento vermelho vivo, que pode ser intermitente e sem dor, como descrito no caso.
A retite actínica, também conhecida como proctite por radiação, é uma condição inflamatória do reto que ocorre como uma complicação da radioterapia pélvica. É particularmente relevante em pacientes tratados para câncer de próstata, bexiga, colo do útero ou reto. A incidência varia, mas pode afetar uma parcela significativa dos pacientes submetidos à radiação, e seus sintomas podem surgir meses a anos após o término do tratamento. A fisiopatologia envolve o dano da radiação às células da mucosa retal e à microvasculatura, levando à inflamação crônica, isquemia e formação de telangiectasias, que são vasos sanguíneos frágeis e propensos a sangramento. O diagnóstico é fortemente sugerido pelo histórico de radioterapia pélvica e sintomas como sangramento retal vermelho vivo, tenesmo e dor. A colonoscopia com biópsia pode confirmar o diagnóstico e excluir outras causas de sangramento. O tratamento da retite actínica visa controlar os sintomas, principalmente o sangramento. Opções incluem terapia com formalina, coagulação com plasma de argônio para telangiectasias sangrantes, sucralfato tópico, corticosteroides e, em casos graves e refratários, cirurgia. O prognóstico é variável, mas muitos pacientes conseguem controle dos sintomas com as terapias disponíveis.
Os sintomas mais comuns incluem sangramento retal vermelho vivo, tenesmo, dor retal, diarreia e urgência fecal. O sangramento pode ser intermitente e ocorrer sem dor significativa, como no caso clínico apresentado.
A radioterapia pélvica, frequentemente utilizada no tratamento de câncer de próstata, bexiga ou ginecológicos, pode causar danos inflamatórios e vasculares à mucosa retal, levando ao desenvolvimento da retite actínica, que pode se manifestar meses ou anos após o término do tratamento.
Embora a retite actínica seja a principal hipótese, outros diferenciais incluem doença diverticular, pólipos, hemorroidas, fissuras anais e, menos comumente, um novo adenocarcinoma. A colonoscopia é frequentemente necessária para confirmar o diagnóstico e excluir outras causas.
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