SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Um homem de 53 anos de idade foi levado ao pronto-socorro pelo resgate, em prancha longa e com colar cervical, após colidir com a sua motocicleta em um veículo parado. Tem suas vias aéreas pérvias, o colar cervical está bem colocado, está eupneico, seu tórax expande, bilateralmente, de maneira simétrica, há murmúrios vesiculares presentes em todos os campos pulmonares, sua frequência cardíaca é de 92 bpm, seu pulso é amplo e cheio, sua pressão arterial é de 120 x 70 mmHg e sua perfusão periférica está preservada. Ele usava capacete no momento do acidente, apresenta-se com Glasgow de 15, não ingeriu bebida alcoólica e nem fez uso de drogas ilícitas. Há fratura exposta da perna direita, com desvio. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta quanto à retirada do colar cervical.
Colar cervical só é retirado após exame de imagem da coluna cervical em trauma significativo.
Em pacientes com trauma significativo, mesmo com Glasgow 15 e sem déficits neurológicos aparentes, o colar cervical só deve ser removido após a exclusão de lesão da coluna cervical por exame de imagem. A avaliação clínica isolada não é suficiente para descartar lesões ligamentares ou fraturas instáveis.
O manejo inicial do paciente traumatizado exige uma abordagem sistemática e cuidadosa, com a proteção da coluna cervical sendo uma prioridade. A imobilização cervical com colar é uma medida preventiva essencial para evitar lesões secundárias em casos de trauma raquimedular. A decisão de retirar o colar cervical, no entanto, deve ser tomada com base em critérios rigorosos, pois uma remoção inadequada pode ter consequências devastadoras. Mesmo em pacientes com escore de Glasgow de 15, sem déficits neurológicos aparentes e sem dor à palpação cervical, a presença de um mecanismo de trauma significativo (como colisão de motocicleta) impõe a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. A ausência de dor ou déficits não exclui a possibilidade de lesões ligamentares ou fraturas instáveis que podem se manifestar apenas com a movimentação. Portanto, a retirada do colar cervical só deve ocorrer após a exclusão de lesões da coluna cervical por meio de exames de imagem apropriados, como radiografias ou tomografia computadorizada. A avaliação clínica é um passo importante, mas não substitui a confirmação radiológica em casos de alto risco. Residentes devem dominar os critérios de liberação da coluna cervical (NEXUS, Canadian C-Spine Rule) e a importância da imagem para garantir a segurança do paciente.
Os critérios mais utilizados são o NEXUS (National Emergency X-Radiography Utilization Study) e o Canadian C-Spine Rule. Ambos incluem a ausência de dor na linha média cervical, ausência de déficits neurológicos focais, estado de alerta normal, ausência de intoxicação e ausência de lesões distrativas dolorosas.
Mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes, o exame de imagem (radiografias, tomografia computadorizada) é crucial para descartar fraturas ocultas, luxações ou lesões ligamentares instáveis da coluna cervical. A retirada precoce do colar sem confirmação radiológica pode levar a danos neurológicos graves e irreversíveis.
O colar cervical deve ser aplicado na cena do acidente, antes do transporte, e mantido durante toda a avaliação primária e secundária, até que a coluna cervical seja liberada por critérios clínicos e, se necessário, por exames de imagem. A via aérea deve ser avaliada e mantida pérvia com o mínimo de movimentação cervical.
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