CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Um paciente com retinose pigmentar diagnosticada recentemente quer saber sobre a possibilidade de tratamentos disponíveis. Você pode responder, em relação a tratamentos aprovados, que:
Mutação RPE65 → Única distrofia retiniana com terapia gênica aprovada (Voretigene neparvovec).
A terapia gênica para retinose pigmentar foca na reposição funcional do gene RPE65 em pacientes com mutações bialélicas e células retinianas viáveis remanescentes.
A retinose pigmentar engloba um grupo heterogêneo de distrofias hereditárias. Historicamente sem tratamento, o cenário mudou com a aprovação do Voretigene neparvovec para mutações no RPE65. Este avanço representa um marco na medicina de precisão oftalmológica, embora a edição direta do DNA (CRISPR) ainda esteja em fases experimentais e não seja o padrão aprovado atual. Clinicamente, o diagnóstico precoce via teste genético tornou-se fundamental. O tratamento não é uma cura definitiva para todas as formas de retinose, mas oferece uma melhora funcional significativa na visão noturna e no campo visual para o subgrupo específico RPE65-positivo, destacando a importância da triagem molecular em pacientes com distrofias retinianas.
O gene RPE65 codifica uma enzima essencial no ciclo visual, convertendo o all-trans-retinil éster em 11-cis-retinol no epitélio pigmentado da retina. Mutações bialélicas neste gene impedem a regeneração do pigmento visual, levando à degeneração progressiva dos fotorreceptores e perda visual grave, sendo o alvo principal da primeira terapia gênica ocular aprovada.
O Voretigene neparvovec (Luxturna) utiliza um vetor de vírus adeno-associado (AAV2) para entregar uma cópia funcional do gene RPE65 diretamente nas células do epitélio pigmentado da retina através de uma injeção sub-retiniana. Isso permite que as células voltem a produzir a enzima necessária para o ciclo visual, melhorando a sensibilidade à luz e a função visual em pacientes com células viáveis.
Os critérios principais incluem a confirmação genética de mutações bialélicas no gene RPE65 e a presença de células retinianas viáveis suficientes, geralmente avaliadas por tomografia de coerência óptica (OCT) demonstrando espessura retiniana ou integridade da zona elipsoide, já que a terapia não reconstrói tecidos atróficos.
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