Retinose Pigmentar e Surdez: Diagnóstico da Síndrome de Usher

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014

Enunciado

A principal alteração ocular encontrada em pacientes com cegueira e surdez, entre as abaixo, é:

Alternativas

  1. A) Ceratocone
  2. B) Persistência do vítreo primário hiperplásico
  3. C) Retinopatia diabética
  4. D) Retinose pigmentar

Pérola Clínica

Cegueira noturna + Perda de campo periférico + Surdez = Síndrome de Usher (Retinose Pigmentar).

Resumo-Chave

A retinose pigmentar é a principal causa de cegueira em pacientes com surdez neurossensorial associada, configurando a Síndrome de Usher.

Contexto Educacional

A associação entre déficit auditivo e visual deve sempre levantar a suspeita de síndromes genéticas, sendo a Síndrome de Usher a mais prevalente. Ela é classificada em três tipos principais (I, II e III) baseados na gravidade da surdez, presença de disfunção vestibular e idade de início da retinose pigmentar. O manejo desses pacientes requer uma abordagem multidisciplinar, incluindo oftalmologistas, geneticistas e fonoaudiólogos. Embora ainda não haja cura definitiva para a retinose pigmentar, o diagnóstico precoce é fundamental para o aconselhamento genético, reabilitação visual e auditiva (como implantes cocleares) e suporte educacional adequado para lidar com a dupla deficiência sensorial.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Síndrome de Usher?

A Síndrome de Usher é uma condição genética autossômica recessiva caracterizada pela associação de perda auditiva neurossensorial (geralmente congênita) e retinose pigmentar progressiva. É a principal causa de surdez-cegueira hereditária no mundo. A perda visual começa tipicamente com cegueira noturna (hemeralopia) devido à degeneração dos bastonetes, evoluindo para a perda do campo visual periférico (visão tubular) e, eventualmente, comprometimento da visão central em estágios avançados da doença.

Quais os achados fundoscópicos típicos da retinose pigmentar?

Os achados clássicos na fundoscopia incluem a tríade: 1) Presença de pigmentação periférica em forma de 'espículas ósseas' (migração de pigmento do EPR para a retina interna); 2) Atenuação arteriolar (vasos retinianos muito finos); e 3) Palidez cérea do disco óptico. Além disso, pode-se observar atrofia do epitélio pigmentado da retina e, em alguns casos, edema macular cistoide, que contribui para a perda da acuidade visual central.

Como é feito o diagnóstico funcional da retinose pigmentar?

O diagnóstico baseia-se na história clínica de hemeralopia e perda de campo, mas o padrão-ouro para confirmação é o Eletrorretinograma (ERG) de campo total. No ERG, observa-se uma redução acentuada ou ausência de respostas, especialmente nas fases escotópicas (que avaliam os bastonetes). O campo visual (perimetria) também é essencial para documentar a progressão da visão tubular e monitorar a perda funcional do paciente ao longo do tempo.

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