CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2021
Com base nos dados fornecidos pelas imagens de retinografia, em qual a retinopexia pneumática estaria melhor indicada?
Retinopexia pneumática: Ideal para rotura ÚNICA, SUPERIOR (10h às 2h) e sem PVR avançada.
A retinopexia pneumática utiliza o tamponamento por bolha de gás; por ser menos densa que o vítreo, a bolha sobe, sendo eficaz apenas para roturas localizadas no quadrante superior da retina.
A retinopexia pneumática revolucionou o tratamento do descolamento de retina regmatogênico (DRR) ao oferecer uma alternativa menos mórbida que a cirurgia convencional. A seleção criteriosa do paciente é o fator determinante para o sucesso. A técnica baseia-se na dinâmica dos gases intraoculares e na fisiologia do bombeamento do fluido sub-retiniano pelo EPR. Embora a imagem da questão (C) mostre a indicação ideal (rotura superior única), o cirurgião deve sempre realizar um mapeamento de retina de 360 graus para garantir que não existam roturas periféricas inferiores ocultas que comprometeriam o resultado final.
Os critérios clássicos incluem: 1. Presença de uma única rotura retiniana ou um grupo de roturas próximas (dentro de 1 a 2 horas de relógio); 2. Localização da rotura nos 2/3 superiores da retina (entre 10 e 2 horas); 3. Ausência de vitreorretinopatia proliferativa (PVR) graus C ou D; 4. Meios transparentes que permitam a visualização e tratamento da rotura com laser ou criopexia. É uma técnica excelente para casos selecionados por ser minimamente invasiva.
O procedimento envolve a injeção intravítrea de uma bolha de gás expansível (geralmente SF6 ou C3F8). A força de flutuação da bolha é utilizada para fechar a rotura retiniana, permitindo que o epitélio pigmentado da retina (EPR) reabsorva o fluido sub-retiniano. Após o fechamento da rotura pela bolha, realiza-se a retinopexia definitiva com criopexia (antes da injeção) ou fotocoagulação a laser (após a retina colar) para criar uma cicatriz permanente.
A retinopexia pneumática é menos invasiva, pode ser feita em consultório e evita complicações como alteração do erro refracional (miopização) ou extrusão de explante. No entanto, possui uma taxa de sucesso primário ligeiramente inferior ao buckle escleral ou vitrectomia, e exige cooperação rigorosa do paciente para manter o posicionamento da cabeça (head positioning) por vários dias para que a bolha tamponize a rotura corretamente.
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