CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
Paciente apresentando microaneurismas, exsudatos duros e proliferação vascular na retina de apenas um olho. Pode-se afirmar que:
Retinopatia proliferativa unilateral + história de tumor ocular → pensar em Retinopatia por Radiação.
A retinopatia por radiação mimetiza a retinopatia diabética, mas ocorre de forma unilateral após tratamento radioterápico para tumores como o melanoma de coroide.
A retinopatia por radiação é uma vasculopatia oclusiva crônica e progressiva. Ela se manifesta meses ou anos após a exposição à radiação ionizante. A fisiopatologia envolve a perda de pericitos e dano endotelial, resultando em quebra da barreira hemato-retiniana. Em pacientes com melanoma de coroide, a incidência de retinopatia pós-braquiterapia é alta, exigindo acompanhamento rigoroso com mapeamento de retina e exames de imagem como a angiografia fluoresceínica para detecção precoce de áreas de não-perfusão.
O tratamento padrão para muitos melanomas de coroide é a braquiterapia (placa de radiação). A radiação ionizante causa danos progressivos às células endoteliais dos capilares retinianos, levando a oclusões vasculares, isquemia e, eventualmente, à liberação de fatores pró-angiogênicos como o VEGF. Isso resulta em um quadro clínico idêntico à retinopatia diabética (microaneurismas, exsudatos, neovascularização), porém restrito ao olho que recebeu a radiação.
Os principais diferenciais incluem a síndrome isquêmica ocular (devido à oclusão da artéria carótida interna), obstruções venosas da retina (veia central ou ramo), retinopatia por radiação e, mais raramente, casos assimétricos de retinopatia diabética. A história clínica de tratamento oncológico ocular ou sintomas de insuficiência vascular cerebral é crucial para distinguir essas condições.
O manejo é semelhante ao da retinopatia diabética proliferativa, focando no controle das complicações isquêmicas. As opções incluem a fotocoagulação a laser (panfotocoagulação) para áreas de isquemia e injeções intravítreas de anti-VEGF para reduzir o edema macular e a neovascularização. O prognóstico visual depende da proximidade da radiação com a mácula e o nervo óptico.
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