CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
São causas mais prováveis de quadro unilateral de microaneurismas, micro-hemorragias, exsudatos algodonosos e neovascularização de disco óptico e retina:
Retinopatia diabética/radiação unilateral → Investigar oclusão de carótida contralateral (proteção) ou ipsilateral (isquemia).
Quadros de retinopatia proliferativa ou isquêmica estritamente unilaterais sugerem patologia vascular proximal (carótida) ou insulto localizado (radiação).
A presença de sinais clássicos de retinopatia (microaneurismas, hemorragias e neovascularização) de forma estritamente unilateral deve sempre alertar o clínico para causas não sistêmicas ou modificadores locais. A Síndrome de Isquemia Ocular, decorrente de estenose carotídea grave, é um diagnóstico diferencial crítico, pois o tratamento envolve a revascularização da carótida para prevenir AVC e perda visual. A retinopatia por radiação é outra causa importante, podendo manifestar-se meses ou anos após o tratamento radioterápico. A fisiopatologia envolve dano endotelial direto e perda de pericitos, levando à isquemia retiniana e subsequente liberação de VEGF, resultando em neovascularização. O manejo muitas vezes requer anti-VEGF e fotocoagulação a laser, similar ao tratamento do diabetes.
Uma estenose significativa da artéria carótida ipsilateral pode 'proteger' o olho da retinopatia diabética ao reduzir a pressão de perfusão e o fluxo sanguíneo, retardando as alterações microvasculares. Por outro lado, se a estenose causar isquemia crônica severa (síndrome de isquemia ocular), pode mimetizar ou agravar uma retinopatia proliferativa unilateral.
É uma vasculopatia oclusiva crônica que ocorre após radioterapia para tumores de cabeça, pescoço ou órbita. Clinicamente é idêntica à retinopatia diabética, apresentando microaneurismas, hemorragias, exsudatos algodonosos e neovascularização, porém com história de exposição à radiação e frequentemente unilateral.
Além da radiação e isquemia carotídea, deve-se considerar a oclusão de veia central da retina (forma isquêmica), vasculopatia polipoidal da coroide (menos comum com esses achados) e inflamações crônicas. A unilateralidade é a chave para buscar causas locais ou vasculares proximais.
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