CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
A retinopatia associada a radiação (radioterapia) se assemelha fundoscopicamente mais com qual das condições abaixo?
Retinopatia por radiação ≈ Retinopatia Diabética; dano endotelial leva à isquemia e microangiopatia.
A retinopatia por radiação é uma microangiopatia oclusiva crônica que mimetiza clinicamente a retinopatia diabética devido ao dano seletivo às células endoteliais vasculares.
A retinopatia por radiação ocorre após o tratamento de tumores intraoculares (como melanoma de coroide) ou tumores de cabeça e pescoço. A radiação provoca uma vasculopatia obliterante progressiva. A perda de capilares da retina leva à hipóxia tecidual, que estimula a liberação de fatores de crescimento endotelial vascular (VEGF). Fundoscopicamente, a diferenciação entre retinopatia diabética e por radiação pode ser impossível sem a história clínica de radioterapia prévia. Ambas apresentam áreas de não-perfusão capilar na angiografia fluoresceínica e edema macular. A gravidade é dose-dependente, sendo doses acima de 30-35 Gy associadas a um risco significativamente maior de perda visual.
Ambas as condições compartilham uma fisiopatologia de microangiopatia. A radiação ionizante causa dano direto ao DNA das células endoteliais da retina, levando à perda de pericitos, oclusão capilar e isquemia. Isso resulta em achados idênticos aos da diabetes: microaneurismas, hemorragias em chama de vela, exsudatos cotonosos e, eventualmente, neovascularização.
A retinopatia por radiação raramente é imediata. Ela possui um período de latência que varia tipicamente de 6 meses a 3 anos após a exposição à radiação (seja por braquiterapia ou radioterapia externa), dependendo da dose total recebida e da sensibilidade individual do tecido retiniano.
O tratamento é muito similar ao da retinopatia diabética proliferativa ou do edema macular diabético. Inclui o uso de injeções intravítreas de anti-VEGF para reduzir o edema e a neovascularização, além de fotocoagulação a laser (panfotocoagulação) em áreas de isquemia extensa para prevenir glaucoma neovascular.
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