CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025
Na retinopatia por manobra de Valsalva, o sangramento ocorre geralmente:
Valsalva → ↑ pressão intratorácica → ruptura capilar → hemorragia pré-retiniana (sub-MLI).
A retinopatia de Valsalva ocorre devido a um aumento súbito da pressão venosa intraocular após esforço físico, resultando em hemorragia localizada tipicamente sob a membrana limitante interna.
A retinopatia de Valsalva é uma condição clássica em provas de oftalmologia e clínica médica, caracterizada por hemorragia pré-retiniana súbita após atividades como levantamento de peso, vômitos ou tosse intensa. O conhecimento anatômico das camadas da retina é crucial para o diagnóstico correto. O sangramento ocorre tipicamente no espaço sub-MLI. A membrana limitante interna é a camada mais interna da retina, formada pelos pés terminais das células de Müller. Identificar que o sangue está 'pré-retiniano' mas 'abaixo da MLI' é o ponto chave para diferenciar de outras causas de hemorragia vítrea ou sub-retiniana.
A fisiopatologia baseia-se no aumento súbito da pressão intratorácica ou abdominal contra uma glote fechada (manobra de Valsalva). Esse aumento é transmitido ao sistema venoso, elevando a pressão nas veias oculares. Como as veias da retina não possuem válvulas, ocorre uma ruptura súbita dos capilares perifoveais superficiais. O sangue se acumula no espaço potencial entre a retina sensorial e a membrana limitante interna (MLI) ou entre a MLI e a face posterior do vítreo (espaço sub-hialoide), resultando em perda visual súbita e indolor.
Clinicamente, ambas podem se apresentar como hemorragias pré-retinianas em forma de barco ou nível hidroaéreo. No entanto, a hemorragia sub-MLI (abaixo da membrana limitante interna) tende a ter uma superfície mais brilhante e estriada devido à tensão da própria membrana, enquanto a hemorragia sub-hialoide (entre a MLI e o vítreo) pode se mover mais livremente com a posição da cabeça. A Tomografia de Coerência Óptica (OCT) é o padrão-ouro para distinguir essas camadas, mostrando o descolamento da MLI pela coleção hemática.
A conduta inicial na maioria dos casos é expectante, pois o sangue costuma ser reabsorvido espontaneamente em semanas ou meses. Em casos de hemorragias maculares densas que impedem a visão por tempo prolongado, pode-se indicar a membranotomia com YAG laser para drenar o sangue para a cavidade vítrea, acelerando a reabsorção. Em casos refratários ou com complicações, a vitrectomia via pars plana pode ser considerada para remover o coágulo e restaurar a acuidade visual rapidamente.
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