CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Sobre a retinopatia hipertensiva, pode-se afirmar:
Cruzamento AV patológico = compressão venular + ingurgitamento a montante + desvio de trajeto.
As alterações nos cruzamentos arteriovenosos na retinopatia hipertensiva ocorrem porque a artéria e a veia compartilham uma bainha adventícia comum, permitindo a compressão venosa pela esclerose arterial.
A retinopatia hipertensiva é a manifestação ocular da hipertensão arterial sistêmica (HAS). Ela é classicamente dividida em fases: vasoconstritora (espasmo arteriolar), esclerótica (espessamento da parede e alterações em cruzamentos) e exsudativa (quebra da barreira hemato-retiniana com hemorragias e edema). A classificação de Keith-Wagener-Barker ainda é amplamente utilizada para estratificar a gravidade e o risco cardiovascular. Clinicamente, a observação de cruzamentos arteriovenosos patológicos é um marcador de dano vascular crônico. A veia, por ter parede mais fina, sofre compressão direta da artéria esclerosada. Já os exsudatos algodonosos e as hemorragias em chama de vela indicam uma fase de descontrole pressórico mais agudo ou severo, exigindo revisão imediata do tratamento anti-hipertensivo do paciente.
Nos cruzamentos patológicos (Sinal de Gunn), a artéria endurecida pela hipertensão crônica comprime a veia no ponto onde compartilham a adventícia. Isso causa redução do calibre venular, ingurgitamento da veia antes do cruzamento (a montante) e pode causar desvios no trajeto venoso (Sinal de Salus).
Diferente dos exsudatos duros (lipídicos), os exsudatos algodonosos representam microinfartos da camada de fibras nervosas da retina. Eles ocorrem por oclusão de arteríolas pré-capilares, levando à interrupção do fluxo axoplasmático. São sinais de sofrimento isquêmico agudo e podem ser reabsorvidos com o tempo.
Não. Embora o espessamento da parede arterial (levando ao aspecto de 'fio de cobre' ou 'fio de prata') seja clássico na hipertensão crônica, ele reflete arteriosclerose, que também pode estar presente em idosos normotensos ou em pacientes com dislipidemia severa e diabetes.
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