Retinopatia Hipertensiva: Sinais Clínicos e Cruzamentos AV

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Sobre a retinopatia hipertensiva, pode-se afirmar:

Alternativas

  1. A) Nos cruzamentos arteriovenosos, podemos observar redução do calibre venular por compressão, ingurgitamento venoso a montante e retificação cio ângulo de cruzamento.
  2. B) A constrição arteriolar focal em geral é irreversível.
  3. C) Os exsudatos algodonosos correspondem a áreas de extravasamento de plasma, hemácias e lipídios sem qualquer grau ele reabsorção.
  4. D) A alteração do reflexo dorsal das artérias, causada pelo espessamento das paredes, é patognomônica da hipertensão arterial, não sendo observada em outras condições.

Pérola Clínica

Cruzamento AV patológico = compressão venular + ingurgitamento a montante + desvio de trajeto.

Resumo-Chave

As alterações nos cruzamentos arteriovenosos na retinopatia hipertensiva ocorrem porque a artéria e a veia compartilham uma bainha adventícia comum, permitindo a compressão venosa pela esclerose arterial.

Contexto Educacional

A retinopatia hipertensiva é a manifestação ocular da hipertensão arterial sistêmica (HAS). Ela é classicamente dividida em fases: vasoconstritora (espasmo arteriolar), esclerótica (espessamento da parede e alterações em cruzamentos) e exsudativa (quebra da barreira hemato-retiniana com hemorragias e edema). A classificação de Keith-Wagener-Barker ainda é amplamente utilizada para estratificar a gravidade e o risco cardiovascular. Clinicamente, a observação de cruzamentos arteriovenosos patológicos é um marcador de dano vascular crônico. A veia, por ter parede mais fina, sofre compressão direta da artéria esclerosada. Já os exsudatos algodonosos e as hemorragias em chama de vela indicam uma fase de descontrole pressórico mais agudo ou severo, exigindo revisão imediata do tratamento anti-hipertensivo do paciente.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza os cruzamentos arteriovenosos patológicos?

Nos cruzamentos patológicos (Sinal de Gunn), a artéria endurecida pela hipertensão crônica comprime a veia no ponto onde compartilham a adventícia. Isso causa redução do calibre venular, ingurgitamento da veia antes do cruzamento (a montante) e pode causar desvios no trajeto venoso (Sinal de Salus).

O que são exsudatos algodonosos na fundoscopia?

Diferente dos exsudatos duros (lipídicos), os exsudatos algodonosos representam microinfartos da camada de fibras nervosas da retina. Eles ocorrem por oclusão de arteríolas pré-capilares, levando à interrupção do fluxo axoplasmático. São sinais de sofrimento isquêmico agudo e podem ser reabsorvidos com o tempo.

A alteração do reflexo dorsal das artérias é exclusiva da hipertensão?

Não. Embora o espessamento da parede arterial (levando ao aspecto de 'fio de cobre' ou 'fio de prata') seja clássico na hipertensão crônica, ele reflete arteriosclerose, que também pode estar presente em idosos normotensos ou em pacientes com dislipidemia severa e diabetes.

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