UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015
A hipertensão arterial, que se associa a alterações metabólicas, hormonais e a fenômenos tróficos, é uma doença de causa multifatorial que acomete cerca de 15% a 20% da população brasileira adulta. Acerca dessa patologia, julgue o item subsecutivo.O exame de fundo de olho permite identificar lesões no sistema vascular de pacientes portadores de hipertensão arterial sistêmica.
Fundo de olho na HAS = Janela direta para avaliar lesão vascular sistêmica.
O exame de fundo de olho é uma ferramenta não invasiva crucial para avaliar danos microvasculares causados pela hipertensão crônica, auxiliando na estratificação de risco.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) causa alterações estruturais e funcionais na microvasculatura retiniana. O processo fisiopatológico inicia com vasoconstrição (fase exsudativa), evolui para esclerose vascular (fase esclerótica) com espessamento da parede arteriolar, e culmina em complicações exsudativas como hemorragias e edema. A identificação dessas alterações através da fundoscopia permite ao clínico inferir o grau de comprometimento vascular sistêmico. Além da retinopatia, a HAS está associada a hipertrofia ventricular esquerda, doença renal crônica e acidentes vasculares cerebrais, sendo o fundo de olho uma peça chave no quebra-cabeça da avaliação diagnóstica e prognóstica do paciente hipertenso, permitindo visualizar o 'estado' dos vasos de pequeno calibre.
O fundo de olho é o único local do corpo humano onde os vasos sanguíneos (arteríolas e vênulas) podem ser visualizados diretamente de forma não invasiva. As alterações observadas na retina, como estreitamento arteriolar, cruzamentos arteriovenosos patológicos, hemorragias e exsudatos, refletem o dano microvascular que está ocorrendo simultaneamente em outros órgãos, como o cérebro e os rins. Portanto, o exame serve como um marcador biológico da gravidade e do tempo de evolução da hipertensão arterial sistêmica, auxiliando na estratificação do risco cardiovascular global do paciente e na decisão terapêutica.
A classificação de Keith-Wagener-Barker divide a retinopatia hipertensiva em quatro graus: Grau I apresenta estreitamento arteriolar leve e generalizado; Grau II inclui cruzamentos arteriovenosos patológicos (sinal de Gunn); Grau III adiciona hemorragias retinianas, exsudatos algodonosos e exsudatos duros; Grau IV é caracterizado pelo edema de papila (papiledema), indicando hipertensão maligna ou acelerada. Os graus III e IV são considerados lesões de órgão-alvo graves e exigem intervenção imediata para controle pressórico e proteção de outros sistemas vitais, como o sistema nervoso central.
As diretrizes brasileiras e internacionais recomendam a realização do fundo de olho especialmente em pacientes com hipertensão estágio 2 ou 3, diabéticos, ou naqueles com suspeita de lesão de órgão-alvo. Embora não seja obrigatório em todos os pacientes com hipertensão leve (estágio 1) sem outros fatores de risco, ele fornece informações valiosas para a estratificação de risco. Em crises hipertensivas do tipo emergência, o fundo de olho é essencial para descartar edema de papila, o que confirmaria a presença de encefalopatia hipertensiva ou dano vascular agudo grave.
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