CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2022
Paciente com anemia falciforme apresenta as alterações abaixo. Com base na imagem é correto afirmar:
Goldberg Estágio 3 = Neovascularização periférica (Sea-fan).
A retinopatia falciforme proliferativa é classificada em 5 estágios. O estágio 3 é caracterizado pela presença de neovasos em 'leque marinho' (sea-fans).
A retinopatia falciforme é uma manifestação ocular grave das hemoglobinopatias. A fisiopatologia baseia-se na foicização das hemácias em condições de hipóxia, levando a microinfartos na periferia retiniana. Diferente da retinopatia diabética, que tende a ser mais central e generalizada, a falciforme começa na periferia extrema (zona temporal). O achado de 'sea-fans' (neovasos que lembram o coral leque-do-mar) é patognomônico da fase proliferativa. O acompanhamento oftalmológico regular com mapeamento de retina e, se necessário, angiofluoresceinografia, é obrigatório para todos os pacientes falciformes, especialmente aqueles com genótipo SC, para prevenir a perda visual severa por hemorragia vítrea ou descolamento de retina.
A classificação de Goldberg para retinopatia falciforme proliferativa divide-se em: Estágio 1 (Oclusões arteriolares periféricas); Estágio 2 (Anastomoses arteriovenosas periféricas); Estágio 3 (Neovascularização pré-retiniana ou 'sea-fans'); Estágio 4 (Hemorragia vítrea); e Estágio 5 (Descolamento de retina tracional). O reconhecimento do estágio 3 é vital para intervir antes de complicações hemorrágicas.
Embora pacientes com HbSS tenham crises sistêmicas mais graves, a viscosidade sanguínea é paradoxalmente menor devido à anemia mais profunda. Pacientes com HbSC ou S-Talassemia têm hematócritos mais altos e sangue mais viscoso, o que favorece a oclusão de pequenos vasos periféricos na retina, levando à isquemia crônica e subsequente liberação de fatores angiogênicos (VEGF), resultando em maior incidência de formas proliferativas.
O tratamento clássico para o estágio 3 (neovascularização) é a fotocoagulação a laser setorial da área isquêmica (periférica aos neovasos). O objetivo é reduzir a demanda de oxigênio e a produção de VEGF, levando à involução dos 'sea-fans'. Em alguns casos, injeções intravítreas de anti-VEGF podem ser usadas como adjuvantes, embora o laser permaneça como pilar para evitar recidivas e progressão para hemorragia vítrea.
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