Retinopatia Falciforme Proliferativa: Manejo e Complicações

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021

Enunciado

Paciente com retinopatia falciforme proliferativa apresenta descolamento tracional da retina, glaucoma neovascular e aumento da pressão intraocular. Sobre esse quadro é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A retinopatia falciforme proliferativa é mais comum em pacientes com hemoglobinopatia SS.
  2. B) O controle da pressão intraocular deve ser agressivo com uso tópico de beta bloqueadores, inibidores da anidrase carbônica, agonistas alfa e prostaglandina.
  3. C) Vitrectomia posterior precedida de eritroforese é uma opção de tratamento para o descolamento de retina tracional.
  4. D) A fisiopatologia deste quadro é decorrente de múltiplas oclusões venosas.

Pérola Clínica

Retinopatia Falciforme Proliferativa → Vitrectomia + Eritroforese (reduz risco de oclusão peroperatória).

Resumo-Chave

Complicações proliferativas na anemia falciforme exigem manejo cirúrgico cuidadoso; a eritroforese prévia reduz a concentração de HbS, prevenindo crises vaso-oclusivas durante a vitrectomia.

Contexto Educacional

A retinopatia falciforme proliferativa é classificada em estágios de Goldberg (I a V). O estágio IV envolve hemorragia vítrea e o estágio V o descolamento de retina. Pacientes com genótipo SC têm maior risco de progressão para estágios proliferativos do que pacientes SS, possivelmente devido ao hematócrito mais elevado que favorece a estase vascular periférica. O tratamento cirúrgico do descolamento tracional é complexo. Além da eritroforese, o cirurgião deve evitar manobras que aumentem a pressão intraocular ou causem hipotensão sistêmica, garantindo oxigenação adequada para prevenir a isquemia do segmento anterior, uma complicação temida e frequente nesta população.

Perguntas Frequentes

Por que realizar eritroforese antes da vitrectomia na anemia falciforme?

A eritroforese (ou exsanguíneo-transfusão parcial) visa reduzir os níveis de hemoglobina S (HbS) para menos de 30-40%. Isso diminui a viscosidade sanguínea e o risco de foquização intraoperatória, que pode levar a oclusões vasculares catastróficas na retina e no segmento anterior durante o procedimento cirúrgico.

Qual a fisiopatologia da retinopatia falciforme?

A doença é marcada por oclusões arteriolares periféricas (não venosas). A hipóxia resultante estimula a liberação de fatores angiogênicos (como VEGF), levando à formação de neovasos em 'leque' (sea-fans), que podem causar hemorragia vítrea e descolamento de retina tracional.

Como o glaucoma neovascular deve ser manejado nesses pacientes?

O controle da pressão intraocular (PIO) deve ser agressivo. Contudo, deve-se ter cautela extrema com inibidores da anidrase carbônica sistêmicos (como acetazolamida), pois podem causar acidose e hemoconcentração, favorecendo a foquização das hemácias.

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