CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
A retinopatia falciforme proliferativa é mais comum em qual forma da doença?
Retinopatia proliferativa é MAIS comum na Doença SC do que na SS.
Embora a anemia SS seja sistemicamente mais grave, a doença SC apresenta maior viscosidade sanguínea relativa, favorecendo isquemia periférica e neovascularização retiniana.
A retinopatia falciforme é uma complicação ocular grave das hemoglobinopatias. Enquanto as manifestações não proliferativas (como manchas de 'black sunburst' e hemorragias 'salmon patch') são comuns em todos os tipos, a forma proliferativa é a que mais ameaça a visão. É crucial que pacientes com doença SC e S-Betatalassemia realizem exames oftalmológicos anuais com mapeamento de retina, pois muitas vezes são assintomáticos sistemicamente e podem desenvolver neovascularização periférica silenciosa. O reconhecimento do padrão 'sea-fan' na angiografia fluoresceínica é patognomônico e indica a necessidade de intervenção para evitar complicações catastróficas.
Isso ocorre devido ao 'paradoxo reológico'. Pacientes com genótipo SS têm anemia mais grave, o que resulta em menor hematócrito e menor viscosidade sanguínea, facilitando o fluxo em pequenos vasos periféricos. Já os pacientes SC têm níveis de hemoglobina mais altos (hematócrito maior), o que aumenta a viscosidade do sangue. Esse sangue viscoso, associado às hemácias falcizadas, causa mais oclusões arteriolares na periferia da retina, levando à isquemia e subsequente neovascularização (proliferação).
A classificação de Goldberg divide a retinopatia proliferativa em 5 estágios: 1) Oclusões arteriolares periféricas; 2) Anastomoses arteriovenosas periféricas; 3) Neovascularização 'em leque marinho' (sea-fan); 4) Hemorragia vítrea; 5) Descolamento de retina tracional. O diagnóstico precoce nos estágios 1 e 2 é fundamental para prevenir a perda visual.
O tratamento padrão para a retinopatia falciforme proliferativa é a fotocoagulação a laser das áreas de isquemia periférica para involuir os neovasos. Em casos de hemorragia vítrea persistente ou descolamento de retina, a vitrectomia posterior via pars plana pode ser necessária. O uso de anti-VEGF tem sido estudado como adjuvante, mas o laser permanece como pilar principal.
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