Retinopatia Diabética: Diagnóstico e Rastreamento Essencial

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

Júlio, 58 anos, procura sua equipe de saúde da família, referindo piora progressiva da visão, com dificuldade para ler livros e mensagens no celular. Tem usado óculos comprados em uma farmácia, com melhora parcial. Refere preocupação pois o irmão teve perda completa da visão à esquerda, devido a glaucoma. É acompanhado pela equipe com histórico de hipertensão, diabetes mellitus e trabalha como motorista. Com base no caso apresentado, assinale a alternativa mais correta:

Alternativas

  1. A) A hipermetropia, diagnóstico mais provável para Júlio, é caracterizada por dificuldade para enxergar objetos pequenos e próximos e é considerada fisiológica após a quarta década de vida.
  2. B) Júlio tem múltiplos fatores de risco para catarata senil. Caso receba este diagnóstico, a primeira linha de tratamento é medicamentosa, com uso de corticoesteroide tópico.
  3. C) Tranquilizar Júlio que caso sua perda de visão seja decorrente de glaucoma crônico, ela pode ser revertida com uso de medicamentos tópicos, como o betabloqueador timolol.
  4. D) Júlio deve ser avaliado quanto ao risco de retinopatia diabética, que pode cursar com perda visual, secundária a edema macular, neoformações vasculares e transformações hemorrágicas.

Pérola Clínica

Diabetes + perda visual progressiva → Rastrear retinopatia diabética, principal causa de cegueira evitável.

Resumo-Chave

A retinopatia diabética é uma complicação microvascular grave do diabetes mellitus, sendo a principal causa de cegueira evitável em adultos. Pacientes diabéticos, especialmente com hipertensão associada e idade avançada, devem ser submetidos a rastreamento oftalmológico regular para detecção precoce e tratamento.

Contexto Educacional

A retinopatia diabética é uma microangiopatia que afeta os vasos sanguíneos da retina, sendo a principal causa de cegueira evitável em adultos em idade produtiva. Sua prevalência aumenta com a duração do diabetes e o mau controle glicêmico e pressórico. É crucial para o médico generalista e residente reconhecer os fatores de risco e a necessidade de rastreamento. A fisiopatologia envolve danos aos capilares retinianos, levando a isquemia, formação de microaneurismas, hemorragias, exsudatos e, em estágios avançados, neovascularização e edema macular. O diagnóstico é feito por exame de fundo de olho. A suspeita deve surgir em qualquer paciente diabético com queixas visuais ou como parte do rastreamento anual. O tratamento varia conforme o estágio, podendo incluir fotocoagulação a laser, injeções intravítreas de anti-VEGF ou corticosteroides, e vitrectomia em casos de hemorragia vítrea ou descolamento de retina. O controle rigoroso da glicemia, pressão arterial e lipídios é fundamental para prevenir a progressão da doença e preservar a visão.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para retinopatia diabética?

Os principais fatores de risco incluem duração do diabetes, mau controle glicêmico, hipertensão arterial, dislipidemia e nefropatia diabética. O controle rigoroso desses fatores é crucial para prevenir ou retardar a progressão da doença.

Como é feito o rastreamento da retinopatia diabética?

O rastreamento é realizado através do exame de fundo de olho com dilatação pupilar, geralmente anualmente, ou com maior frequência dependendo do estágio da doença e da presença de fatores de risco. A retinografia também é uma ferramenta útil.

Quais são as manifestações clínicas da retinopatia diabética?

Inicialmente assintomática, pode progredir para visão turva, manchas escuras, perda súbita da visão (hemorragia vítrea) e cegueira, devido a edema macular, neovascularização e descolamento de retina. A detecção precoce é fundamental para evitar a perda visual irreversível.

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