CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
Assinale a associação correta para fatores de risco da retinopatia diabética:
Retinopatia Diabética → Tempo de evolução (#1) e Controle metabólico (#2) são os principais preditores.
A hiperglicemia crônica causa danos estruturais aos capilares retinianos (perda de pericitos); o controle metabólico rigoroso é o fator modificável mais importante para frear a progressão.
A retinopatia diabética é a principal causa de cegueira irreversível em adultos em idade laboral. Sua patogênese envolve a perda de pericitos, espessamento da membrana basal capilar e quebra da barreira hemato-retiniana. O manejo clínico foca no controle rigoroso da glicemia, pressão arterial e lipídeos (os 'pilares do tratamento'), além do rastreamento oftalmológico periódico para intervenção precoce com laser ou anti-VEGF quando indicado.
O controle glicêmico, medido pela Hemoglobina Glicada (HbA1c), é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento e progressão da retinopatia diabética, atrás apenas do tempo de evolução da doença. Estudos como o DCCT (Diabetes Control and Complications Trial) demonstraram que o tratamento intensivo para manter a HbA1c próxima ao normal reduz significativamente o risco de aparecimento da retinopatia e a necessidade de fotocoagulação a laser. A hiperglicemia crônica leva à formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs) e estresse oxidativo, danificando o endotélio vascular.
O tempo de evolução é o preditor mais forte para a prevalência da retinopatia. Após 20 anos de doença, quase todos os pacientes com Diabetes Tipo 1 e mais de 60% dos pacientes com Tipo 2 apresentam algum grau de retinopatia. Isso ocorre porque o dano microvascular é cumulativo. Mesmo com controle glicêmico adequado posterior, o 'legado metabólico' de anos de hiperglicemia pode manter o processo fisiopatológico ativo, embora em ritmo mais lento.
Existe uma forte correlação entre a presença de nefropatia diabética (microalbuminúria ou proteinúria) e a gravidade da retinopatia. Ambas são manifestações de microangiopatia sistêmica. A presença de doença renal aumenta o risco de edema macular diabético e de formas proliferativas da doença. Além disso, a hipertensão arterial sistêmica e a anemia, frequentemente associadas à insuficiência renal, exacerbam a hipóxia retiniana e o extravasamento vascular, piorando o prognóstico visual.
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