SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
O retinoblastoma é o tumor maligno intraocular mais comum na infância, podendo apresentarse de forma hereditária ou não hereditária. Quanto ao retinoblastoma hereditário, assinale a alternativa correta.
RB1 germinativo → Retinoblastoma bilateral + ↑ Risco de sarcomas e melanomas.
O retinoblastoma hereditário decorre de mutação germinativa no gene RB1, conferindo predisposição a tumores bilaterais e neoplasias extraoculares ao longo da vida.
O retinoblastoma é o paradigma da genética do câncer, tendo servido de base para a formulação da hipótese de Knudson. O gene RB1, localizado no cromossomo 13q14, codifica a proteína pRb, que regula o ciclo celular na transição da fase G1 para S. A perda de função desta proteína permite a proliferação celular descontrolada. O manejo desses pacientes exige não apenas o tratamento do tumor ocular (quimioterapia intra-arterial, laser, crioterapia ou enucleação), mas também um aconselhamento genético rigoroso e um protocolo de seguimento a longo prazo para detecção precoce de neoplasias secundárias, que são a principal causa de morte tardia nesses sobreviventes.
O retinoblastoma hereditário segue um padrão de herança autossômico dominante com alta penetrância (cerca de 90%). Isso significa que a prole de um indivíduo afetado tem 50% de chance de herdar a mutação germinativa no gene RB1. No nível celular, a mutação age de forma recessiva, exigindo a perda do segundo alelo (Two-hit hypothesis) para a tumorigênese.
Como a mutação no gene supressor de tumor RB1 está presente em todas as células do corpo (mutação germinativa), qualquer tecido está vulnerável à perda do segundo alelo. Isso resulta em uma suscetibilidade vitalícia a segundos tumores primários, independentemente da radioterapia, sendo os mais comuns o osteossarcoma, sarcomas de partes moles e melanoma maligno.
A forma hereditária (40% dos casos) geralmente se manifesta mais cedo (antes de 1 ano de idade), é frequentemente bilateral e multifocal. A forma não hereditária (esporádica) costuma ser unilateral, unifocal e diagnosticada mais tardiamente (média de 2 anos). Testes genéticos para mutação do RB1 no sangue periférico confirmam a natureza germinativa.
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