CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Qual a causa mais comum de glaucoma associada ao retinoblastoma?
Glaucoma neovascular = causa mais comum de ↑PIO no retinoblastoma por liberação de VEGF tumoral.
O aumento da pressão intraocular no retinoblastoma decorre principalmente da isquemia e liberação de fatores angiogênicos que geram neovasos no ângulo.
O retinoblastoma é o tumor intraocular primário mais comum da infância. A ocorrência de glaucoma secundário é um marcador de doença avançada e está frequentemente associada à invasão do nervo óptico ou da coroide. O reconhecimento do glaucoma neovascular como a principal causa de aumento da PIO nestes pacientes é crucial para o estadiamento clínico e para a decisão terapêutica, que muitas vezes culmina na enucleação para prevenir metástases sistêmicas.
O retinoblastoma, ao crescer rapidamente, gera áreas de hipóxia tumoral e isquemia retiniana. Esse estado metabólico estimula a produção de fatores de crescimento endotelial vascular (VEGF). O VEGF difunde-se para o segmento anterior, promovendo a formação de novos vasos na íris (rubeosis iridis) e no ângulo da câmara anterior. Esses neovasos são acompanhados por uma membrana fibrovascular que se contrai, fechando o ângulo e impedindo o escoamento do humor aquoso, elevando a pressão intraocular.
Além da leucocoria (reflexo pupilar branco), que é o sinal clássico do tumor, a criança pode apresentar buftalmo (aumento do globo ocular), edema de córnea, congestão conjuntival e dor ocular. A presença de rubeosis iridis ao exame na lâmpada de fenda é um indicativo forte de glaucoma neovascular iminente ou instalado. O aumento da PIO em uma criança com suspeita de retinoblastoma é um sinal de prognóstico reservado para a preservação do globo ocular.
Sim, embora o neovascular seja o mais comum, o glaucoma pode ocorrer por deslocamento anterior do diafragma íris-cristalino devido à massa tumoral volumosa (bloqueio pupilar ou fechamento angular secundário) ou por invasão direta do ângulo por células tumorais (glaucoma de células tumorais). No entanto, a fisiopatologia angiogênica mediada pelo VEGF continua sendo a via principal na maioria dos casos avançados que evoluem com hipertensão ocular.
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