CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Sobre as infecções oculares relacionadas com HIV, é correto afirmar:
CMV retinitis = necrose granular + hemorragias ('pizza de queijo e tomate') em pacientes com CD4 < 50.
A retinite por CMV é a infecção oportunista ocular mais comum no HIV avançado, caracterizada por necrose retiniana exsudativa e hemorrágica.
As manifestações oculares no HIV mudaram drasticamente com a terapia antirretroviral (TARV), mas continuam sendo marcadores de falha terapêutica ou diagnóstico tardio. A retinite por CMV continua sendo a principal causa de cegueira nessa população quando o CD4 cai abaixo de 50. O diagnóstico é eminentemente clínico através da fundoscopia, embora o PCR do humor aquoso possa auxiliar em casos atípicos. Além das infecções oportunistas, o HIV está associado a uma microangiopatia retiniana própria (exsudatos algodonosos sem outras causas) e a um aumento da agressividade de infecções comuns, como o Herpes Zoster Oftálmico e a Tuberculose. A resistência ao tratamento antituberculoso é, na verdade, mais comum em pacientes HIV positivos devido a interações medicamentosas e má absorção, ao contrário do que sugerem algumas alternativas incorretas em provas.
A retinite por citomegalovírus (CMV) ocorre tipicamente em pacientes com contagem de linfócitos CD4 inferior a 50 células/mm³. Caracteriza-se por áreas de necrose retiniana de espessura total, com aspecto esbranquiçado (exsudativo/granular) associado a hemorragias retinianas proeminentes, frequentemente descritas como aspecto de 'pizza de queijo e tomate'. A progressão costuma seguir o trajeto dos vasos e a vitreíte é mínima ou ausente devido à grave imunossupressão do hospedeiro.
Diferente do paciente imunocompetente, onde a toxoplasmose causa uma lesão focal com intensa vitreíte ('farol na neblina'), no paciente com AIDS avançada as lesões podem ser multifocais, extensas e bilaterais. Devido à falha na resposta imune celular, a inflamação no vítreo (vitreíte) pode ser muito leve, dificultando o diagnóstico clínico inicial se o médico esperar o padrão clássico de inflamação intensa.
A sífilis é uma coinfecção frequente em pacientes HIV positivos e pode se manifestar em qualquer estágio da doença, sendo a uveíte sifilítica uma manifestação comum da sífilis secundária ou terciária. Todo paciente HIV com queixa ocular deve ser rastreado para sífilis, pois a apresentação clínica é o 'grande imitador', podendo causar uveíte anterior, posterior, vasculite ou neurite óptica, exigindo tratamento com penicilina cristalina endovenosa (esquema de neurossífilis).
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