Hipertensão Ocular Pós-Facoemulsificação: Causas Comuns

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018

Enunciado

Qual a causa mais frequente de hipertensão ocular no primeiro dia pós operatório de uma facoemulsificação sem complicações?

Alternativas

  1. A) Persistência de viscoelástico.
  2. B) Glaucoma corticogênico.
  3. C) Acúmulo de humor aquoso no vítreo.
  4. D) Aumento da celularidade na câmara anterior.

Pérola Clínica

↑ PIO no 1º PO de facoemulsificação → causa principal = retenção de viscoelástico.

Resumo-Chave

A retenção de substâncias viscoelásticas no segmento anterior obstrui mecanicamente a malha trabecular, causando picos de pressão intraocular nas primeiras 24 horas após a cirurgia de catarata.

Contexto Educacional

A hipertensão ocular pós-operatória imediata é uma complicação comum e muitas vezes transitória após a facoemulsificação. A literatura indica que picos pressóricos ocorrem com frequência entre 4 a 24 horas após o procedimento. A escolha do viscoelástico (dispersivo vs. coesivo) influencia a facilidade de remoção; viscoelásticos coesivos são removidos mais facilmente em bloco, enquanto os dispersivos podem exigir uma aspiração mais meticulosa. O reconhecimento precoce é vital, especialmente em pacientes com glaucoma pré-existente, que possuem menor reserva funcional do nervo óptico e são mais suscetíveis a danos permanentes por picos pressóricos agudos. O tratamento preventivo com hipotensores no final da cirurgia é uma prática comum em casos de risco.

Perguntas Frequentes

Por que o viscoelástico causa aumento da PIO?

As substâncias viscoelásticas (OVDs) são essenciais na cirurgia de catarata para proteger o endotélio e manter o espaço da câmara anterior. Se não forem completamente aspiradas ao final do procedimento, suas moléculas de alto peso molecular obstruem fisicamente os poros da malha trabecular, impedindo o escoamento do humor aquoso e gerando hipertensão ocular aguda.

Como manejar a hipertensão ocular por viscoelástico?

O manejo geralmente envolve o uso de hipotensores oculares tópicos (como betabloqueadores ou alfa-agonistas) e, em casos de pressões muito elevadas, inibidores da anidrase carbônica sistêmicos. Em situações extremas onde a PIO ameaça a perfusão do nervo óptico, pode ser necessária a descompressão da câmara anterior através da paracentese.

Quais outras causas de PIO alta no pós-operatório imediato?

Além do viscoelástico, deve-se considerar inflamação intensa (uveíte pós-operatória), bloqueio pupilar, restos corticais ou síndrome de dispersão pigmentar aguda. No entanto, estatisticamente, a retenção de OVD é a causa mais frequente no primeiro dia.

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