Retenção Urinária Pós-Operatória: Causas e Manejo

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2021

Enunciado

A inabilidade de micção espontânea é comum no pós-operatório, especialmente após cirurgias pélvicas e perineais ou em procedimentos em que foi empregada raquianestesia ou peridural.São todos fatores relacionados e que interferem na retenção urinária, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Alterações neurais responsáveis pelo normal esvaziamento da bexiga.
  2. B) Infecção do órgão.
  3. C) Trauma operatório ao plexo.
  4. D) Distensão excessiva do órgão.

Pérola Clínica

Retenção urinária pós-op → causas: neural, trauma, distensão; EXCETO infecção aguda.

Resumo-Chave

A retenção urinária pós-operatória é multifatorial, envolvendo disfunção neural (anestesia, trauma) e mecânica (distensão vesical). A infecção urinária, embora possa causar disúria ou urgência, não é uma causa primária de inabilidade de micção espontânea, mas sim uma complicação potencial da retenção.

Contexto Educacional

A retenção urinária pós-operatória (RUPO) é uma complicação comum, definida como a incapacidade de urinar espontaneamente após a cirurgia, ou a presença de um volume vesical residual significativo. Sua incidência varia amplamente, dependendo do tipo de cirurgia e anestesia, sendo mais frequente em procedimentos pélvicos, perineais e ortopédicos, e após o uso de anestesia neuroaxial. É crucial para o residente reconhecer os fatores de risco e a fisiopatologia para um manejo adequado. A fisiopatologia da RUPO é multifatorial, envolvendo alterações neurais, mecânicas e farmacológicas. A anestesia neuroaxial (raquianestesia, peridural) pode bloquear os nervos sacrais responsáveis pela micção. O trauma operatório direto ou indireto aos nervos pélvicos, a distensão excessiva da bexiga durante o período perioperatório e o uso de certos medicamentos (opioides, anticolinérgicos) também contribuem. O diagnóstico é clínico, com a palpação de bexigoma e a confirmação por ultrassonografia vesical, que quantifica o volume residual. O tratamento imediato da RUPO consiste no alívio da distensão vesical, geralmente por meio de cateterismo uretral intermitente ou de demora. A prevenção é fundamental e inclui a minimização de fatores de risco, manejo adequado da dor, mobilização precoce e monitoramento do volume vesical. A infecção urinária, embora uma complicação da retenção, não é a causa primária da inabilidade de micção espontânea, sendo um ponto importante de diferenciação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para retenção urinária pós-operatória?

Os principais fatores incluem o tipo de cirurgia (pélvica, perineal), o tipo de anestesia (raquianestesia, peridural), idade avançada, sexo masculino, volume de fluidos intravenosos e condições urológicas pré-existentes.

Como a raquianestesia ou peridural contribuem para a retenção urinária?

Essas anestesias bloqueiam os nervos sacrais que controlam a função vesical, inibindo a contração do detrusor e relaxando o esfíncter uretral, dificultando o esvaziamento espontâneo da bexiga.

Qual a conduta inicial para um paciente com retenção urinária pós-operatória?

A conduta inicial é a sondagem vesical para alívio da distensão e monitoramento do débito urinário. É importante investigar a causa subjacente e manejar a dor e náuseas, que podem agravar o quadro.

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