Retenção Urinária Pós-Operatória: Diagnóstico e Manejo

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2021

Enunciado

Um paciente de 20 anos, previamente hígido, está no pós-operatório imediato de hernioplastia inguinal à Lichtenstein, com anestesia peridural. Refere dor crescente em hipogástrio. Está ansioso e agitado. Pulso: 110 bpm, PA: 120 x 90 mmHg. Palpa-se massa dolorosa em hipogástrio. Descompressão brusca: negativa. A ferida cirúrgica tem bom aspecto. Conduta:

Alternativas

  1. A) Passagem de sonda vesical.
  2. B) Ultrassom de abdome.
  3. C) Tomografia com contraste endovenoso.
  4. D) Laparoscopia.
  5. E) Abertura e revisão da incisão.

Pérola Clínica

Dor hipogástrica + massa palpável pós-op + anestesia peridural → RUP = sondagem vesical.

Resumo-Chave

A retenção urinária pós-operatória (RUP) é uma complicação comum, especialmente após cirurgias abdominais ou pélvicas e uso de anestesia regional (peridural/raquianestesia), que afeta a inervação vesical. A dor em hipogástrio com massa palpável é um sinal clássico, e a conduta imediata é o esvaziamento vesical por sondagem.

Contexto Educacional

A retenção urinária pós-operatória (RUP) é uma complicação comum e muitas vezes subestimada, que pode ocorrer após diversos tipos de cirurgias, especialmente aquelas que envolvem a região abdominal inferior, pélvica ou perineal, como a hernioplastia inguinal. A incidência varia, mas pode ser significativa, impactando o conforto do paciente e prolongando a internação. A fisiopatologia envolve múltiplos fatores, incluindo o efeito da anestesia (particularmente a regional, como a peridural, que pode inibir a contração do detrusor e a percepção do enchimento vesical), o uso de opioides, a dor pós-operatória, a manipulação cirúrgica e a ansiedade. O diagnóstico da RUP é primariamente clínico. O paciente tipicamente refere dor intensa em hipogástrio, sensação de plenitude vesical e incapacidade de urinar, apesar do desejo. Ao exame físico, palpa-se uma massa dolorosa e globosa na região suprapúbica, correspondente à bexiga distendida. É fundamental diferenciar essa dor de outras causas de desconforto pós-operatório, como dor da ferida cirúrgica ou complicações intra-abdominais. A ausência de sinais de peritonite e o bom aspecto da ferida cirúrgica direcionam para a RUP. A conduta para a RUP é direta e eficaz: a passagem de uma sonda vesical de alívio. Este procedimento permite o esvaziamento imediato da bexiga, aliviando a dor e prevenindo danos ao trato urinário. Em alguns casos, pode ser necessária a manutenção da sonda por um período curto ou a realização de sondagens intermitentes até a recuperação completa da função vesical. O manejo adequado da RUP é essencial para o bem-estar do paciente e para evitar complicações como infecções do trato urinário e disfunção vesical crônica.

Perguntas Frequentes

Quais os principais fatores de risco para retenção urinária pós-operatória?

Fatores de risco incluem anestesia regional (peridural, raquianestesia), cirurgias prolongadas, uso de opioides, cirurgias pélvicas ou inguinais, idade avançada e hiperplasia prostática benigna preexistente.

Como diferenciar a dor da retenção urinária de outras causas de dor abdominal pós-operatória?

A dor da retenção urinária é tipicamente em hipogástrio, acompanhada de massa palpável e, muitas vezes, ausência de micção. Outras dores podem ter localização diferente, sinais de peritonite ou sangramento.

Qual a importância da sondagem vesical na retenção urinária pós-operatória?

A sondagem vesical de alívio é crucial para aliviar a dor, prevenir lesão vesical por distensão excessiva e evitar complicações como infecção do trato urinário e disfunção vesical a longo prazo.

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