Retenção Urinária Crônica: Diagnóstico e Manejo Inicial

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Homem, 80 anos de idade, diabético, chega ao pronto-socorro com história de dificuldade miccional há vários meses. Há dois dias, iniciou quadro de perda urinária contínua necessitando de fraldas. Exame físico: abaulamento indolor em região hipogástrica. Qual é a hipótese diagnóstica e conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Retenção urinária aguda; solicitar estudo urodinâmico
  2. B) Retenção urinária aguda; iniciar medicação para hiperplasia prostática benigna, pois ele não apresenta dor
  3. C) Retenção urinária crônica; passar uma sonda tipo Foley
  4. D) Retenção urinaria crônica; realizar a investigação diagnóstica ambulatorial, pois o paciente não tem dor
  5. E) Retenção urinária aguda; realizar cistostomia suprapúbica

Pérola Clínica

Homem idoso + dificuldade miccional + perda urinária contínua + abaulamento hipogástrico indolor = Retenção Urinária Crônica → Sondagem Foley.

Resumo-Chave

A retenção urinária crônica em idosos, frequentemente associada à hiperplasia prostática benigna, pode se manifestar com incontinência por transbordamento e bexigoma indolor. A conduta inicial é a descompressão vesical com sonda Foley.

Contexto Educacional

A retenção urinária crônica é uma condição comum, especialmente em homens idosos, frequentemente associada à hiperplasia prostática benigna (HPB), estenoses uretrais ou disfunções neurológicas. Diferente da retenção aguda, que é dolorosa e súbita, a retenção crônica se desenvolve insidiosamente, permitindo que a bexiga se distenda progressivamente sem dor significativa, levando a um bexigoma palpável e, muitas vezes, à incontinência por transbordamento. O diagnóstico é clínico, baseado na história de dificuldade miccional prolongada e na presença de um abaulamento suprapúbico indolor. A perda urinária contínua, necessitando de fraldas, é um sinal clássico de incontinência por transbordamento, onde a pressão intravesical excede a resistência uretral devido ao enchimento excessivo da bexiga. A avaliação complementar pode incluir ultrassonografia para medir o volume residual pós-miccional e avaliar o trato urinário superior. A conduta mais adequada e urgente é a descompressão vesical através da passagem de uma sonda vesical tipo Foley. Isso não só alivia os sintomas do paciente, mas também previne complicações graves como hidronefrose, infecções do trato urinário e insuficiência renal aguda ou crônica. Após a descompressão, a investigação da causa subjacente (como HPB) e o tratamento definitivo podem ser realizados de forma ambulatorial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas da retenção urinária crônica?

Os sintomas incluem dificuldade miccional progressiva, jato fraco, esvaziamento incompleto da bexiga, noctúria, e frequentemente, incontinência urinária por transbordamento (perda contínua de urina), além de um abaulamento hipogástrico indolor (bexigoma).

Qual a diferença entre retenção urinária aguda e crônica?

A retenção urinária aguda é caracterizada por incapacidade súbita de urinar, geralmente acompanhada de dor intensa. A crônica se desenvolve gradualmente, pode ser indolor e manifestar-se com incontinência por transbordamento, devido à distensão progressiva da bexiga.

Qual a conduta inicial para um paciente com retenção urinária crônica e bexigoma?

A conduta inicial mais adequada é a descompressão vesical através da passagem de uma sonda vesical tipo Foley. Isso alivia a obstrução e previne complicações como hidronefrose e insuficiência renal.

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