UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente masculino, de 68 anos, procurou a UPA queixando-se de dificuldade extrema para urinar (apenas pequeno volume de urina era liberado com muito esforço), quadro iniciado no dia anterior. Informou ser tabagista com índice tabágico de 80 maços-ano. Desde os 50 anos, vinha observando enfraquecimento do jato urinário e aumento do número de vezes que acordava para urinar com a sensação de que não esvaziava a bexiga ao fim da micção. Negou febre ou ardência durante a micção. Trouxe resultado de exame de PSA solicitado na UBS. Ao exame físico, a palpação abdominal revelou bexiga distendida e sensível, e o toque retal, próstata aumentada de tamanho e de consistência firme, sem nódulos. A incidência do quadro clínico do paciente está relacionada com os seguintes fatores:
Retenção urinária aguda em idoso com LUTS → Fatores de risco para progressão da HPB incluem idade avançada, PSA elevado e intensidade dos sintomas.
A retenção urinária aguda (RUA) é uma complicação temida da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB). Os principais preditores de progressão da doença e risco de RUA são a idade, o volume prostático (refletido pelo PSA) e a gravidade dos sintomas do trato urinário inferior (LUTS).
A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma condição extremamente prevalente, afetando a maioria dos homens a partir dos 50 anos. Caracteriza-se pelo crescimento não maligno da próstata, que pode levar à compressão da uretra e consequente obstrução do fluxo urinário, manifestando-se como Sintomas do Trato Urinário Inferior (LUTS). A Retenção Urinária Aguda (RUA) é uma das complicações mais graves e uma emergência urológica. A fisiopatologia da RUA na HPB envolve um componente estático (aumento do volume prostático) e um dinâmico (aumento do tônus da musculatura lisa prostática). A identificação de pacientes com risco de progressão da doença é crucial. Os fatores de risco mais estabelecidos são: idade avançada, volume prostático aumentado (geralmente > 30-40 cm³), níveis séricos de PSA elevados (que se correlacionam com o volume) e a intensidade dos LUTS, quantificada por escores como o IPSS (International Prostate Symptom Score). O manejo da RUA consiste na descompressão vesical imediata com cateterismo uretral. Após a resolução do episódio agudo, o paciente deve ser avaliado para o tratamento definitivo da HPB, que pode variar desde terapia medicamentosa (alfabloqueadores, inibidores da 5-alfa-redutase) até procedimentos cirúrgicos, como a ressecção transuretral da próstata (RTU-P), para prevenir novos episódios e melhorar a qualidade de vida.
Os principais sinais são o envelhecimento (maior risco com a idade), um nível de PSA > 1,5 ng/mL (que se correlaciona com o volume prostático) e a gravidade dos sintomas do trato urinário inferior (LUTS), avaliada por escores como o IPSS.
A conduta imediata é a descompressão vesical, geralmente através de cateterismo uretral de alívio. Após a resolução do quadro agudo, inicia-se a investigação e o tratamento da HPB, que pode incluir alfabloqueadores e/ou inibidores da 5-alfa-redutase.
Os sintomas (LUTS) podem ser indistinguíveis. No entanto, o câncer de próstata é mais suspeito na presença de toque retal com nódulos ou endurecimento, PSA muito elevado ou com aumento rápido, e sintomas sistêmicos como dor óssea. A HPB tipicamente apresenta próstata de aumento difuso e consistência fibroelástica.
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