USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente, 45 anos, queixa-se de perda urinária em pequena quantidade há 3 semanas. Refere cirurgia para correção de incontinência urinária há 3 meses, com controle dos sintomas e micção espontânea. Nega dor. ⦁ Exame clínico: FC: 80 bpm; FR: 12 ipm; PA: 110x60 mmHg; IMC: 23kg/m². ⦁ Abdome: plano, flácido, com palpação de tumoração regular, de consistência cístia, dolorosa, 4 cm acima da sínfese púbica. ⦁ Ginecológico: pilificação adequada para a idade; especular: conteúdo vaginal habitual, colo uterino epitelizado; toque vaginal: vagina prévia de 2 dedos, elástica, colo regular, tumoração cística, dolorosa, ocupando a pelve e limitando a identificação do útero. Assinale a conduta adequada neste momento.
Tumoração cística dolorosa acima da sínfise púbica + perda urinária em pequena quantidade pós-cirurgia → Globo vesical = Sondagem vesical.
A descrição de uma tumoração cística, dolorosa, acima da sínfise púbica, associada a perda urinária em pequena quantidade após cirurgia de incontinência, é altamente sugestiva de retenção urinária com transbordamento (globus vesical). A conduta imediata é a sondagem vesical para alívio da distensão e dor.
A retenção urinária aguda é uma emergência urológica que se caracteriza pela incapacidade de esvaziar a bexiga, resultando em acúmulo de urina e distensão vesical dolorosa. Em mulheres que foram submetidas recentemente a cirurgias para correção de incontinência urinária, como a colocação de sling, a retenção urinária é uma complicação relativamente comum. Isso ocorre devido a alterações na anatomia do trato urinário inferior, edema pós-operatório ou disfunção do músculo detrusor. O quadro clínico típico inclui dor suprapúbica intensa, sensação de plenitude vesical e, paradoxalmente, pode haver perda urinária em pequena quantidade (incontinência por transbordamento) devido à pressão intravesical elevada. Ao exame físico, a palpação de uma tumoração cística e dolorosa acima da sínfise púbica (globo vesical) é um achado clássico. A conduta imediata e prioritária é a sondagem vesical para alívio da distensão e da dor. A ultrassonografia pélvica pode ser útil para confirmar o volume vesical e descartar outras massas, mas não deve atrasar a sondagem. Exames de sedimento e cultura de urina são importantes para investigar infecção urinária, que pode ser uma complicação ou causa secundária, mas não é a primeira medida para o alívio da retenção. A punção guiada por ultrassom não é a conduta inicial para retenção urinária.
Os sinais incluem dor suprapúbica intensa, sensação de plenitude vesical, incapacidade de urinar ou micção em pequenas quantidades (polaciúria com esvaziamento incompleto), e a palpação de um globo vesical acima da sínfise púbica.
Cirurgias como a colocação de sling podem alterar a anatomia uretral e a função do detrusor, levando a um aumento da resistência uretral ou disfunção contrátil da bexiga, resultando em dificuldade de esvaziamento pós-operatório devido a edema ou compressão.
A ultrassonografia pélvica pode confirmar a presença de um grande volume residual na bexiga e descartar outras causas de massa pélvica, mas não deve atrasar a sondagem vesical, que é a medida terapêutica imediata.
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