Retenção Urinária Aguda: Manejo e Tratamento da HPB

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2024

Enunciado

Paciente 65 anos, sexo masculino, deu entrada com quadro de dor em hipogastro há 1 dia, associado à anúria, referindo padrão miccional prévio prejudicado, com sensação de esvaziamento incompleto, jato fraco e nictúria. No momento, queixa-se de dor intensa. Paciente nega comorbidades ou uso de medicações diárias. O exame físico evidencia globo vesical palpável, onde a dor se localiza. Após sondagem, realizada com sucesso, foi drenado 1 litro de diurese clara. Após avaliação laboratorial adequada, na alta do paciente, deve ser realizada:

Alternativas

  1. A) Prescrição de doxazosina e finasterida, além de manutenção da sonda de demora até avaliação de retirada em cerca de 2 semanas.
  2. B) Prescrição de doxazosina e finasterida, com tentativa de alta sem sondagem vesical de demora, visto aumento do índice de infecção pelo dispositivo.
  3. C) Prescrição de doxazosina, além de manutenção da sonda de demora até avaliação de retirada em cerca de 2 semanas.
  4. D) Prescrição de doxazosina, com tentativa de alta sem sondagem vesical de demora, visto aumento do índice de infecção pelo dispositivo.

Pérola Clínica

Retenção urinária aguda por HPB: sondagem + doxazosina + finasterida + manter sonda por ~2 semanas para recuperação vesical.

Resumo-Chave

Em pacientes masculinos idosos com retenção urinária aguda por provável Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), após a descompressão vesical com sondagem, o tratamento farmacológico com alfa-bloqueadores (doxazosina) e inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida) é indicado. A manutenção da sonda por cerca de duas semanas permite a recuperação da função vesical e o início da ação dos medicamentos, reduzindo o risco de nova retenção.

Contexto Educacional

A retenção urinária aguda (RUA) é uma emergência urológica comum, especialmente em homens idosos, frequentemente associada à Hiperplasia Prostática Benigna (HPB). Caracteriza-se pela incapacidade de urinar, resultando em dor intensa e distensão vesical. O diagnóstico é clínico, com a palpação de um globo vesical, e a conduta inicial é a descompressão imediata da bexiga através da sondagem vesical, que alivia a dor e previne danos renais. Após a descompressão, o manejo visa prevenir novos episódios de RUA e tratar a causa subjacente, que na maioria dos casos é a HPB. O tratamento farmacológico da HPB inclui duas classes principais de medicamentos: os alfa-bloqueadores (como a doxazosina), que agem relaxando a musculatura lisa da próstata e do colo vesical, proporcionando alívio rápido dos sintomas obstrutivos; e os inibidores da 5-alfa-redutase (como a finasterida), que atuam reduzindo o volume da próstata ao longo do tempo, sendo mais eficazes em próstatas maiores. A estratégia de alta após um episódio de RUA por HPB geralmente envolve a prescrição de ambos os tipos de medicamentos e a manutenção da sonda vesical de demora por um período de aproximadamente duas semanas. Essa manutenção é fundamental para permitir a recuperação da função contrátil da bexiga, que pode estar comprometida pela distensão prolongada, e para que os medicamentos iniciem seu efeito terapêutico. A retirada precoce da sonda sem a devida preparação farmacológica e recuperação vesical está associada a altas taxas de falha e recorrência da retenção urinária.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos de Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) que podem levar à retenção urinária?

Os sintomas típicos da HPB incluem sintomas obstrutivos (jato urinário fraco, hesitação, esvaziamento incompleto, gotejamento pós-miccional) e irritativos (nictúria, frequência urinária, urgência). A retenção urinária aguda é uma complicação grave desses sintomas.

Por que a doxazosina e a finasterida são prescritas juntas para HPB?

A doxazosina, um alfa-bloqueador, age rapidamente relaxando a musculatura lisa da próstata e do colo vesical, melhorando o fluxo urinário. A finasterida, um inibidor da 5-alfa-redutase, age a longo prazo, reduzindo o volume prostático. A combinação trata os sintomas rapidamente e a causa subjacente a longo prazo.

Qual a importância de manter a sonda de demora após a descompressão de uma retenção urinária aguda?

Manter a sonda de demora por um período (geralmente 1-2 semanas) após a descompressão é crucial para permitir que a bexiga, que estava distendida e disfuncional, recupere seu tônus e função. Além disso, dá tempo para que os medicamentos para HPB (alfa-bloqueadores e inibidores da 5-alfa-redutase) comecem a fazer efeito, diminuindo o risco de uma nova retenção após a retirada da sonda.

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