Retenção Urinária Aguda: Diagnóstico e Tratamento Imediato

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 65 anos de idade, procura a Unidade de Pronto Atendimento, UPA, com queixa de dor intensa em abdome inferior, há duas horas, e dificuldade para urinar. O paciente refere que apresenta dificuldade para iniciar a micção há cerca de seis meses, associada a despertares noturnos para urinar (duas vezes/ noite) e intermitência da micção. Relata que a última micção foi há cinco horas. Nega outros sintomas e comorbidades. Ao exame físico, bom estado geral, corado, FC: 92bpm, PA: 132x76mmHg, FR: 18imp; palpada massa volumosa arredondada em hipogástrio, associada à dor intensa e sem sinais de irritação peritoneal.Indique o tratamento imediato que deve ser instituído.

Alternativas

  1. A) Sondagem vesical.
  2. B) Prescrição de antibiótico por via oral.
  3. C) Cistoscopia para remoção de cálculo urinário.
  4. D) Videolaparoscopia.

Pérola Clínica

Dor hipogástrica + bexigoma + dificuldade miccional → retenção urinária aguda = sondagem vesical imediata.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor intensa em hipogástrio, massa palpável (bexigoma) e dificuldade para urinar, especialmente em um idoso com sintomas prévios de HPB, é altamente sugestivo de retenção urinária aguda. A conduta imediata e prioritária é o alívio da obstrução através da sondagem vesical.

Contexto Educacional

A retenção urinária aguda (RUA) é uma emergência urológica caracterizada pela incapacidade súbita de esvaziar a bexiga, resultando em dor intensa e distensão vesical. É particularmente comum em homens idosos, sendo a hiperplasia prostática benigna (HPB) a causa mais frequente devido à obstrução progressiva do fluxo urinário. Os sintomas preexistentes de dificuldade para iniciar a micção, noctúria e intermitência são indicativos de obstrução crônica do trato urinário inferior (OTUI) que culminou em RUA. O diagnóstico da RUA é clínico, baseado na queixa de dor suprapúbica intensa, incapacidade de urinar e, ao exame físico, a palpação de uma massa volumosa e dolorosa em hipogástrio, conhecida como bexigoma. A ausência de sinais de irritação peritoneal sugere que a dor é primariamente vesical e não de outra origem abdominal aguda. A prioridade no manejo é o alívio imediato da obstrução e da dor. O tratamento imediato da RUA é a sondagem vesical, que permite o esvaziamento da bexiga e o alívio dos sintomas. A escolha entre sondagem uretral ou suprapúbica depende da situação clínica e da expertise disponível. Após o alívio, a investigação da causa subjacente é essencial para prevenir recorrências. Antibióticos não são a conduta inicial, a menos que haja sinais de infecção, e procedimentos como cistoscopia ou videolaparoscopia são diagnósticos ou terapêuticos para etapas posteriores, não para o alívio agudo da retenção.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas mais comuns de retenção urinária aguda em homens idosos?

A causa mais comum é a hiperplasia prostática benigna (HPB), que causa obstrução progressiva da uretra. Outras causas incluem estenose uretral, cálculos vesicais, disfunção neurogênica da bexiga e certos medicamentos.

Quais os riscos de não tratar a retenção urinária aguda prontamente?

A não desobstrução imediata pode levar a dor intensa, hidronefrose, insuficiência renal aguda pós-renal, infecção do trato urinário (ITU), urosepse e, em casos crônicos, danos permanentes à bexiga.

Após a sondagem vesical, qual o próximo passo no manejo do paciente?

Após o alívio da retenção, deve-se investigar a causa subjacente (ex: HPB, estenose uretral) e iniciar o tratamento específico. É comum a prescrição de alfa-bloqueadores para HPB e acompanhamento urológico.

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