Retenção Urinária Aguda: Diagnóstico e Conduta Inicial

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 52 anos de idade, com antecedentes de hiperplasia prostática benigna, procurou o pronto-atendimento com relato de dor abdominal e anuria havia um dia. Na admissão, verificou-se frequência cardíaca de 70 bpm, pressão arterial de 130 mmHg × 80 mmHg e saturação de O2 igual a 96%. O paciente apresentava-se em bom estado geral, consciente e orientado, hidratado, sem alterações cardiovasculares ou respiratórias. No exame abdominal, identificou-se dor e distensão em região hipogástrica. Os exames laboratoriais estão listados abaixo.Assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial mais adequada para o caso clínico acima.

Alternativas

  1. A) analgesia e alta com encaminhamento para ambulatório de doença renal crônica
  2. B) ultrassonografia de rins e vias e cateterismo vesical
  3. C) hidratação vigorosa e antibioticoterapia
  4. D) hemodiálise de emergência por anuria refratária
  5. E) biópsia renal para determinar a etiologia da doença renal crônica

Pérola Clínica

Homem com HPB + anúria + dor hipogástrica = retenção urinária aguda → USG rins/vias + cateterismo vesical.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clássico de retenção urinária aguda, com histórico de hiperplasia prostática benigna (HPB), anúria e dor/distensão hipogástrica. A conduta inicial mais adequada é a realização de ultrassonografia de rins e vias urinárias para avaliar hidronefrose e o volume vesical, seguida imediatamente pelo cateterismo vesical para desobstrução e alívio da bexiga, que é a prioridade para prevenir danos renais e aliviar os sintomas.

Contexto Educacional

A retenção urinária aguda (RUA) é uma emergência urológica comum, caracterizada pela incapacidade súbita de esvaziar a bexiga, resultando em acúmulo de urina e dor intensa. Em homens idosos, a causa mais frequente é a hiperplasia prostática benigna (HPB), que causa obstrução infravesical. O reconhecimento rápido e a intervenção imediata são cruciais para aliviar o sofrimento do paciente e prevenir complicações graves, como lesão renal aguda pós-renal devido à hidronefrose e infecções urinárias. O diagnóstico da RUA é primariamente clínico, baseado na história de anúria ou oligúria associada a dor e distensão na região hipogástrica. O exame físico revela uma bexiga palpável e dolorosa. A ultrassonografia de rins e vias urinárias é um exame complementar essencial, pois confirma a distensão vesical e, mais importante, avalia a presença e o grau de hidronefrose, que é um indicador direto da uropatia obstrutiva e do potencial de dano renal. A conduta inicial mais adequada e urgente é o cateterismo vesical. Este procedimento não só alivia a obstrução e a dor, mas também permite a drenagem da urina, a medição do volume residual e a coleta de amostras para análise. É vital que residentes e profissionais de emergência dominem a técnica do cateterismo e compreendam a importância da desobstrução imediata para o manejo eficaz da retenção urinária aguda e a prevenção de sequelas a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da retenção urinária aguda?

Os principais sintomas incluem dor abdominal intensa na região hipogástrica, incapacidade de urinar (anúria), sensação de bexiga cheia e palpável, e, em alguns casos, agitação e sudorese. Pode haver um histórico de sintomas urinários obstrutivos prévios, como jato fraco ou hesitação.

Por que a ultrassonografia de rins e vias urinárias é importante na retenção urinária aguda?

A ultrassonografia é fundamental para confirmar a distensão vesical, estimar o volume urinário e, crucialmente, avaliar a presença de hidronefrose (dilatação do sistema coletor renal), que indica uropatia obstrutiva e risco de lesão renal aguda pós-renal. Ajuda a guiar a conduta e o prognóstico.

Qual a importância do cateterismo vesical na conduta inicial?

O cateterismo vesical é a conduta inicial mais importante e urgente, pois alivia a obstrução, drena a urina acumulada na bexiga, reduz a dor e previne a progressão da lesão renal. É um procedimento terapêutico e diagnóstico, permitindo a coleta de urina para exames e a monitorização do débito urinário.

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