Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023
Um homem de 52 anos de idade, com antecedentes de hiperplasia prostática benigna, procurou o pronto-atendimento com relato de dor abdominal e anuria havia um dia. Na admissão, verificou-se frequência cardíaca de 70 bpm, pressão arterial de 130 mmHg × 80 mmHg e saturação de O2 igual a 96%. O paciente apresentava-se em bom estado geral, consciente e orientado, hidratado, sem alterações cardiovasculares ou respiratórias. No exame abdominal, identificou-se dor e distensão em região hipogástrica. Os exames laboratoriais estão listados abaixo.Assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial mais adequada para o caso clínico acima.
Homem com HPB + anúria + dor hipogástrica = retenção urinária aguda → USG rins/vias + cateterismo vesical.
O paciente apresenta um quadro clássico de retenção urinária aguda, com histórico de hiperplasia prostática benigna (HPB), anúria e dor/distensão hipogástrica. A conduta inicial mais adequada é a realização de ultrassonografia de rins e vias urinárias para avaliar hidronefrose e o volume vesical, seguida imediatamente pelo cateterismo vesical para desobstrução e alívio da bexiga, que é a prioridade para prevenir danos renais e aliviar os sintomas.
A retenção urinária aguda (RUA) é uma emergência urológica comum, caracterizada pela incapacidade súbita de esvaziar a bexiga, resultando em acúmulo de urina e dor intensa. Em homens idosos, a causa mais frequente é a hiperplasia prostática benigna (HPB), que causa obstrução infravesical. O reconhecimento rápido e a intervenção imediata são cruciais para aliviar o sofrimento do paciente e prevenir complicações graves, como lesão renal aguda pós-renal devido à hidronefrose e infecções urinárias. O diagnóstico da RUA é primariamente clínico, baseado na história de anúria ou oligúria associada a dor e distensão na região hipogástrica. O exame físico revela uma bexiga palpável e dolorosa. A ultrassonografia de rins e vias urinárias é um exame complementar essencial, pois confirma a distensão vesical e, mais importante, avalia a presença e o grau de hidronefrose, que é um indicador direto da uropatia obstrutiva e do potencial de dano renal. A conduta inicial mais adequada e urgente é o cateterismo vesical. Este procedimento não só alivia a obstrução e a dor, mas também permite a drenagem da urina, a medição do volume residual e a coleta de amostras para análise. É vital que residentes e profissionais de emergência dominem a técnica do cateterismo e compreendam a importância da desobstrução imediata para o manejo eficaz da retenção urinária aguda e a prevenção de sequelas a longo prazo.
Os principais sintomas incluem dor abdominal intensa na região hipogástrica, incapacidade de urinar (anúria), sensação de bexiga cheia e palpável, e, em alguns casos, agitação e sudorese. Pode haver um histórico de sintomas urinários obstrutivos prévios, como jato fraco ou hesitação.
A ultrassonografia é fundamental para confirmar a distensão vesical, estimar o volume urinário e, crucialmente, avaliar a presença de hidronefrose (dilatação do sistema coletor renal), que indica uropatia obstrutiva e risco de lesão renal aguda pós-renal. Ajuda a guiar a conduta e o prognóstico.
O cateterismo vesical é a conduta inicial mais importante e urgente, pois alivia a obstrução, drena a urina acumulada na bexiga, reduz a dor e previne a progressão da lesão renal. É um procedimento terapêutico e diagnóstico, permitindo a coleta de urina para exames e a monitorização do débito urinário.
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