PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, 76 anos, há cerca de 2 anos apresentando diminuição do jato urinário, noctúria até 4 vezes por noite, esforço para iniciar a micção. Há 3 dias disúria e polaciúria, febre de 38 graus. Foi iniciado em pronto socorro antibióticoterapia com quinolona. No entanto paciente evoluiu com oligúria intensa e queda do estado geral, apresentando hipotensão, taquicardia, dor e distensão abdominal, sendo encaminhado à internação. Foram solicitados exames laboratoriais e de imagem. Qual medida deve ser recomendada imediatamente?
Homem idoso com oligúria + distensão abdominal + HPB = Retenção urinária → Sondagem vesical de demora.
O quadro clínico de um homem idoso com sintomas de HPB, oligúria, distensão abdominal e queda do estado geral, mesmo com febre e disúria, sugere fortemente uma retenção urinária aguda complicada, possivelmente com urosepse. A medida mais urgente e salvadora é a desobstrução da via urinária através da sondagem vesical de demora para aliviar a pressão e restaurar o fluxo urinário.
A retenção urinária aguda (RUA) é uma emergência urológica comum, especialmente em homens idosos, sendo a hiperplasia prostática benigna (HPB) a causa mais frequente. Caracteriza-se pela incapacidade de esvaziar a bexiga, resultando em acúmulo de urina e distensão vesical dolorosa. Os sintomas obstrutivos crônicos da HPB, como diminuição do jato e noctúria, podem preceder a RUA. A presença de febre, disúria e polaciúria sugere uma infecção do trato urinário (ITU) associada, que pode evoluir para urosepse, um quadro grave que exige intervenção imediata. O paciente do caso apresenta um quadro de RUA complicada por ITU e provável urosepse, evidenciado pela oligúria intensa, hipotensão, taquicardia e queda do estado geral. A obstrução prolongada pode levar à uropatia obstrutiva, com dilatação das vias urinárias superiores e comprometimento da função renal. A prioridade no manejo é a desobstrução da via urinária para aliviar a pressão e permitir o fluxo de urina, o que é fundamental para a estabilização hemodinâmica e o controle da infecção. A medida mais imediata e eficaz é a sondagem vesical de demora. Isso permite a drenagem da urina acumulada, alivia a dor, melhora a função renal e facilita o tratamento da infecção. Após a desobstrução, a investigação da causa da RUA (como HPB) e o manejo da ITU com antibioticoterapia adequada são passos subsequentes. Outras opções como bloqueadores alfa adrenérgicos são para manejo crônico da HPB, e a nefrostomia percutânea seria indicada apenas em casos de obstrução ureteral alta ou falha da sondagem vesical.
Os sinais e sintomas incluem diminuição do jato urinário, noctúria, esforço para iniciar a micção (sintomas de HPB), dor e distensão abdominal suprapúbica, urgência miccional sem capacidade de urinar, e, em casos graves, oligúria e queda do estado geral devido à uropatia obstrutiva e possível urosepse.
A sondagem vesical de demora é a medida imediata porque alivia a obstrução do trato urinário, descomprime a bexiga, restaura o fluxo urinário e previne danos renais. Em pacientes com infecção e retenção, a drenagem urinária é crucial para o controle da sepse e melhora do estado geral.
As complicações incluem hidronefrose, insuficiência renal aguda pós-renal, infecção do trato urinário (ITU), urosepse, ruptura vesical e disfunção vesical crônica. A intervenção rápida é essencial para evitar essas sequelas graves.
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