UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Pré-escolar iniciou quadro de dor abdominal diária de média intensidade há dois meses, associada à contração dos músculos glúteos e enrijecimento das pernas quando deitado ou quando em pé segurando nos móveis. Além disso, apresenta defecação em roupa íntima diariamente e em vaso sanitário duas vezes por semana. As manifestações descritas são compatíveis com:
Criança com dor abdominal + manobras de retenção + encoprese = Retenção fecal voluntária e incontinência fecal involuntária.
A descrição de dor abdominal, manobras de retenção (contração dos glúteos, enrijecimento das pernas) e defecação em roupa íntima (encoprese) em um pré-escolar é clássica de constipação crônica com retenção fecal voluntária, levando à impactação e subsequente incontinência fecal involuntária por extravasamento.
A constipação crônica funcional é um problema comum na infância, afetando significativamente a qualidade de vida da criança e da família. A retenção fecal voluntária é um comportamento adaptativo da criança que, por medo da dor ao evacuar fezes duras, passa a reter as fezes. Este ciclo vicioso leva ao acúmulo de fezes no reto e cólon, formando um fecaloma. A presença de um fecaloma causa distensão crônica do reto, levando à perda da sensibilidade e do tônus muscular. Isso resulta na incontinência fecal involuntária, conhecida como encoprese, onde fezes líquidas ou semilíquidas extravasam ao redor do fecaloma e sujam a roupa íntima. As manobras de retenção, como a contração dos glúteos e o enrijecimento das pernas, são sinais clínicos importantes. O manejo da constipação crônica com encoprese exige uma abordagem multifacetada. Inicialmente, a desimpactação é crucial, geralmente com altas doses de laxantes. Em seguida, um tratamento de manutenção prolongado com laxantes, dieta rica em fibras e líquidos, e suporte comportamental são essenciais para reeducar o intestino e restaurar o padrão de evacuação normal.
São comportamentos que a criança adota para evitar a defecação, como cruzar as pernas, contrair os glúteos, ficar na ponta dos pés ou se esconder, muitas vezes devido ao medo de dor ao evacuar.
A causa mais comum é a constipação crônica funcional, onde a criança retém as fezes, levando à impactação fecal. Isso causa distensão retal, perda da sensibilidade e extravasamento involuntário de fezes líquidas ao redor do fecaloma.
O tratamento envolve a desimpactação fecal (se presente), seguida por um regime de manutenção com laxantes osmóticos (como polietilenoglicol), modificações dietéticas (aumento de fibras e líquidos) e treinamento comportamental para regularizar o hábito intestinal.
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