UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2025
Menino, 11 anos e 6 meses de idade, está em consulta ambulatorial de rotina. Os pais estão preocupados pois ele é o mais baixo da sala de aula e ainda não apresenta nenhum marco puberal. Refere alimentação balanceada e equilibrada, faz atividade física regular 3 vezes por semana (judô). Sem antecedentes pessoais ou familiares relevantes. Sem alterações relevantes no exame clínico, estádio puberal G1 P1. Estatura de 130 cm (Curva OMS escore Z entre -3 e -2), índice de massa corpórea de 17,2 kg/m2 (Curva OMS escore Z = 0). Na última consulta, realizada há 6 meses, ele apresentava estatura de 127 cm. O pai tem estatura de 182 cm. A mãe tem estatura de 169 cm e refere que apresentou a menarca com 13 anos. O paciente realizou radiografia de punho esquerdo na semana passada, com idade óssea compatível com 9 anos. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Retardo Constitucional do Crescimento e Puberdade (CDGP) = baixa estatura + idade óssea atrasada + velocidade de crescimento normal + história familiar de atraso puberal.
O paciente apresenta baixa estatura, atraso puberal, idade óssea atrasada e velocidade de crescimento adequada para sua idade óssea, além de histórico familiar de menarca tardia na mãe, o que é altamente sugestivo de Retardo Constitucional do Crescimento e Puberdade.
O Retardo Constitucional do Crescimento e Puberdade (CDGP) é a causa mais comum de baixa estatura e atraso puberal em adolescentes, representando uma variação fisiológica do crescimento e desenvolvimento. É fundamental que residentes e estudantes de medicina saibam diferenciá-lo de condições patológicas que requerem intervenção. A epidemiologia mostra que afeta mais meninos e é frequentemente familiar. A fisiopatologia envolve um atraso no "relógio biológico" da maturação, resultando em um início mais tardio do estirão de crescimento e da puberdade, mas com um potencial de crescimento final normal, atingindo a estatura alvo genética. O diagnóstico é clínico e baseia-se na história (incluindo história familiar de atraso puberal), exame físico (estágio puberal G1 P1 em meninos > 14 anos), velocidade de crescimento normal para a idade óssea e idade óssea atrasada (confirmada por radiografia de punho esquerdo). É crucial excluir outras causas de baixa estatura e atraso puberal, como hipotireoidismo, deficiência de hormônio de crescimento e doenças crônicas. O manejo geralmente é expectante, com acompanhamento e reasseguração aos pais, pois a maioria dos pacientes atinge a puberdade e a estatura adulta esperada espontaneamente. Em casos selecionados de grande impacto psicossocial, pode-se considerar um curso curto de testosterona em meninos para induzir o início da puberdade.
O CDGP é caracterizado por baixa estatura (geralmente abaixo do percentil 3), atraso puberal (ausência de sinais puberais aos 14 anos em meninos ou 13 anos em meninas), idade óssea atrasada em relação à idade cronológica e velocidade de crescimento normal para a idade óssea.
Uma história familiar de atraso puberal (ex: menarca tardia na mãe, crescimento lento na infância ou puberdade tardia nos pais ou irmãos) é um forte indicativo de CDGP, pois há uma predisposição genética para esse padrão de crescimento.
No CDGP, a velocidade de crescimento é normal para a idade óssea, e os níveis de GH são geralmente normais após estímulo. Na DGH, a velocidade de crescimento é consistentemente abaixo do normal, e os níveis de GH são deficientes em testes de estímulo.
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