Retardo Constitucional do Crescimento: Diagnóstico e Manejo

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Adolescente, sexo masculino, com 11 anos de idade, procurou o pediatra com queixa de baixa estatura. Há relato de crescimento adequado até a adolescência, quando começou a crescer um pouco mais lentamente, segundo a impressão da mãe. Gestação e parto sem anormalidades. Ao nascer, o peso foi 3500g e o comprimento, 50cm. Desenvolvimento neuropsicomotor sempre foi adequado. Bom desempenho na escola. Nega doenças crônicas graves. Com a idade de 10 anos, passou por uma consulta com o médico de família da sua região, que não encontrou nenhuma anormalidade clínica e suas medidas foram: peso = 23kg e estatura = 122cm (escore z: -2,2). Na consulta atual, exame físico persiste sem anormalidades, o estadiamento puberal é G1P1 pelos critérios de Tanner e a estatura é 127cm (escore z: -2,2) e peso de 26kg. A idade óssea nesse momento é de 8,9 anos. A mãe tem 162cm e o pai tem 173cm.A causa mais provável da baixa estatura deste paciente é:

Alternativas

  1. A) hipotireoidismo adquirido.
  2. B) deficiência de hormônio de crescimento.
  3. C) baixa estatura familiar.
  4. D) retardo constitucional do crescimento.

Pérola Clínica

Baixa estatura com idade óssea atrasada e atraso puberal = Retardo Constitucional do Crescimento.

Resumo-Chave

O retardo constitucional do crescimento e puberdade é a causa mais comum de baixa estatura em adolescentes, caracterizado por desaceleração do crescimento na infância tardia, atraso na idade óssea e no início da puberdade, mas com estatura final geralmente normal.

Contexto Educacional

O retardo constitucional do crescimento e puberdade (RCCP) é a causa mais comum de baixa estatura e atraso puberal em adolescentes, sendo uma variação da normalidade. Caracteriza-se por uma desaceleração da velocidade de crescimento na infância tardia, resultando em uma estatura abaixo do percentil 3 para a idade cronológica, mas com uma velocidade de crescimento normal para a idade óssea. O atraso na idade óssea é um achado chave, indicando que o potencial de crescimento ainda não foi totalmente expresso. Clinicamente, o paciente apresenta um histórico de crescimento adequado nos primeiros anos de vida, seguido por uma desaceleração e um atraso no início da puberdade (G1P1 aos 11 anos, como no caso). A estatura é baixa para a idade cronológica, mas o escore Z de estatura pode permanecer estável, indicando que a criança está crescendo em seu próprio canal. A idade óssea, avaliada por radiografia de mão e punho, é significativamente atrasada em relação à idade cronológica. O diagnóstico é de exclusão, após descartar outras causas patológicas de baixa estatura. O manejo do RCCP é principalmente expectante, com acompanhamento regular do crescimento e desenvolvimento puberal. É fundamental tranquilizar a família e o paciente, explicando que a estatura final geralmente será normal, embora atingida mais tardiamente. Em casos de grande impacto psicossocial devido ao atraso puberal, pode-se considerar o uso de baixas doses de testosterona em meninos ou estrogênio em meninas para induzir a puberdade, sempre com cautela e sob supervisão especializada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais do retardo constitucional do crescimento?

Os principais sinais incluem baixa estatura para a idade cronológica, desaceleração da velocidade de crescimento na infância tardia, atraso significativo da idade óssea em relação à idade cronológica e atraso no início da puberdade.

Como diferenciar o retardo constitucional da baixa estatura familiar?

Na baixa estatura familiar, a idade óssea é compatível com a idade cronológica e a puberdade ocorre no tempo esperado, enquanto no retardo constitucional, há atraso da idade óssea e da puberdade. Ambos têm estatura final dentro do alvo familiar.

Qual o prognóstico para adolescentes com retardo constitucional do crescimento?

O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos indivíduos atingindo uma estatura final dentro da faixa normal para sua família, embora a puberdade e o estirão de crescimento ocorram mais tardiamente.

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