Trombose em Retalhos Microcirúrgicos: Conduta de Urgência

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um paciente foi submetido à reconstrução de defeito de partes moles com retalho microcirúrgico há 8 horas. Qual a conduta recomendada na suspeita de trombose aguda das anastomoses?

Alternativas

  1. A) Administração endovenosa de estreptoquinase.
  2. B) Exploração cirúrgica.
  3. C) Anticoagulação plena.
  4. D) Reavaliação em 24 horas.

Pérola Clínica

Suspeita de trombose em retalho microcirúrgico → Exploração cirúrgica imediata.

Resumo-Chave

O sucesso do salvamento de um retalho isquêmico depende da rapidez da reintervenção. A exploração cirúrgica é mandatória para revisar as anastomoses e remover trombos.

Contexto Educacional

A microcirurgia reconstrutiva revolucionou o tratamento de grandes defeitos de partes moles, mas a trombose microvascular continua sendo a complicação mais temida. A monitorização pós-operatória rigorosa (clínica, Doppler ou monitorização de oxigênio tecidual) é essencial nas primeiras 72 horas. Diante de qualquer alteração no exame físico que sugira isquemia ou congestão, a conduta 'wait and see' é contraindicada. A exploração cirúrgica imediata no centro cirúrgico é o único método eficaz para restaurar a perfusão. Durante a reexploração, o uso de soluções de heparina local e agentes trombolíticos in situ pode ser adjuvante, mas a correção mecânica da anastomose é o pilar do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clínicos de trombose arterial versus venosa no retalho?

A trombose arterial manifesta-se por palidez, resfriamento do retalho, perda de turgor e enchimento capilar lento ou ausente. Já a trombose venosa (mais comum) apresenta-se com congestão, edema, cianose (cor arroxeada) e enchimento capilar extremamente rápido (hiperemia reacional), evoluindo para sangramento escuro ao teste de picada.

Qual a janela de tempo ideal para o salvamento do retalho?

As primeiras 24 a 48 horas são críticas (período de maior risco de trombose). Uma vez detectada a alteração vascular, a reintervenção deve ocorrer preferencialmente em menos de 1 a 2 horas. Quanto mais cedo a exploração cirúrgica for realizada, maiores as chances de sucesso no salvamento, que podem ultrapassar 75% se detectado precocemente.

Por que a exploração cirúrgica é a conduta de escolha?

A exploração cirúrgica permite a visualização direta da anastomose, identificação de torções (kinking), compressões extrínsecas ou trombos intraluminais. O cirurgião pode realizar a trombectomia, refazer a anastomose ou utilizar enxertos venosos, o que não é possível com medidas conservadoras como anticoagulação ou fibrinolíticos isolados.

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