USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Um paciente foi submetido à reconstrução de defeito de partes moles com retalho microcirúrgico há 8 horas. Qual a conduta recomendada na suspeita de trombose aguda das anastomoses?
Suspeita de trombose em retalho microcirúrgico → Exploração cirúrgica imediata.
O sucesso do salvamento de um retalho isquêmico depende da rapidez da reintervenção. A exploração cirúrgica é mandatória para revisar as anastomoses e remover trombos.
A microcirurgia reconstrutiva revolucionou o tratamento de grandes defeitos de partes moles, mas a trombose microvascular continua sendo a complicação mais temida. A monitorização pós-operatória rigorosa (clínica, Doppler ou monitorização de oxigênio tecidual) é essencial nas primeiras 72 horas. Diante de qualquer alteração no exame físico que sugira isquemia ou congestão, a conduta 'wait and see' é contraindicada. A exploração cirúrgica imediata no centro cirúrgico é o único método eficaz para restaurar a perfusão. Durante a reexploração, o uso de soluções de heparina local e agentes trombolíticos in situ pode ser adjuvante, mas a correção mecânica da anastomose é o pilar do tratamento.
A trombose arterial manifesta-se por palidez, resfriamento do retalho, perda de turgor e enchimento capilar lento ou ausente. Já a trombose venosa (mais comum) apresenta-se com congestão, edema, cianose (cor arroxeada) e enchimento capilar extremamente rápido (hiperemia reacional), evoluindo para sangramento escuro ao teste de picada.
As primeiras 24 a 48 horas são críticas (período de maior risco de trombose). Uma vez detectada a alteração vascular, a reintervenção deve ocorrer preferencialmente em menos de 1 a 2 horas. Quanto mais cedo a exploração cirúrgica for realizada, maiores as chances de sucesso no salvamento, que podem ultrapassar 75% se detectado precocemente.
A exploração cirúrgica permite a visualização direta da anastomose, identificação de torções (kinking), compressões extrínsecas ou trombos intraluminais. O cirurgião pode realizar a trombectomia, refazer a anastomose ou utilizar enxertos venosos, o que não é possível com medidas conservadoras como anticoagulação ou fibrinolíticos isolados.
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