Reconstrução Palpebral: Técnica de Hughes em Grandes Defeitos

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013

Enunciado

Paciente sofreu avulsão traumática de 80% da parte central da pálpebra inferior com amputação extensa da musculatura orbicular pré-septal (material amputado foi perdido). Qual técnica poderia ser empregada para reconstrução?

Alternativas

  1. A) Retalho tarsal de Hughes associado a enxerto de pele total retroauricular
  2. B) Enxerto condromucoso de palato duro associado a enxerto de músculo palmar longo e enxerto de pele da pálpebra superior contralateral
  3. C) Enxerto de cartilagem retroauricular associado a enxerto de pele da face medial do antebraço
  4. D) Enxerto condromucoso de septo nasal associado a enxerto de músculo temporal superficial e enxerto de pele supraclavicular

Pérola Clínica

Defeitos >50% pálpebra inferior → Retalho de Hughes (tarsoconjuntival da pálpebra superior).

Resumo-Chave

A técnica de Hughes utiliza um retalho da lamela posterior da pálpebra superior para reconstruir a lamela posterior da pálpebra inferior em defeitos extensos.

Contexto Educacional

A reconstrução palpebral baseia-se no princípio das lamelas. Para defeitos centrais extensos da pálpebra inferior, onde a tensão impediria o fechamento direto, o cirurgião deve prover suporte estrutural (lamela posterior) e cobertura cutânea (lamela anterior). O retalho de Hughes é a técnica de escolha por utilizar tecido autólogo vascularizado (tarso da pálpebra superior), o que garante excelente integração e suporte para a margem palpebral. O procedimento exige que a pálpebra superior esteja íntegra. O retalho é suturado ao que resta dos retratores da pálpebra inferior e aos bordos mediais e laterais do defeito. A segunda etapa, a abertura da fenda palpebral, ocorre geralmente após 3 a 6 semanas, quando a vascularização do enxerto de pele está consolidada. É uma técnica fundamental na oncologia oftálmica e no trauma oculoplástico.

Perguntas Frequentes

O que é a técnica de Hughes?

A técnica de Hughes, ou retalho tarsoconjuntival, é um procedimento cirúrgico em dois estágios usado para reconstruir grandes defeitos (geralmente >50%) da pálpebra inferior. No primeiro estágio, um retalho composto por tarso e conjuntiva é transposto da pálpebra superior para preencher a lamela posterior da pálpebra inferior. A lamela anterior (pele e músculo) é reconstruída com um enxerto de pele total ou retalho local. Após algumas semanas, o pedículo é dividido.

Quais as indicações para o retalho de Hughes?

É indicado para reconstrução de defeitos de espessura total da pálpebra inferior que sejam muito grandes para fechamento primário ou cantólise lateral. É frequentemente utilizado após ressecções oncológicas (como carcinoma basocelular) ou traumas com perda extensa de tecido (avulsões). Não deve ser usado se a pálpebra superior também estiver comprometida ou se o paciente tiver apenas um olho funcional (devido à oclusão temporária).

Por que associar enxerto de pele ao retalho de Hughes?

A pálpebra é dividida em lamela anterior (pele e orbicular) e lamela posterior (tarso e conjuntiva). O retalho de Hughes reconstrói apenas a lamela posterior. Para uma reconstrução completa e funcional, é obrigatório cobrir esse retalho com tecido que forneça a lamela anterior. O enxerto de pele total (geralmente retroauricular ou da pálpebra superior contralateral) é a escolha clássica para garantir a cobertura e evitar a retração palpebral.

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