UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 23 anos sofreu queda de moto com fratura exposta e perda de tecidos do terço médio\nda perna esquerda, com uma extensão de 7 x 5 cm e exposição óssea sem periósteo.\nApós 5 dias da conduta anterior, a paciente não teve sucesso na reconstrução e precisou receber um retalho livre do músculo anterolateral da coxa. O pedículo arterial desse retalho é ramo:
Retalho ALT = Pedículo no Ramo Descendente da Artéria Femoral Circunflexa Lateral.
O retalho anterolateral da coxa (ALT) é um cavalo de batalha na microcirurgia, baseado no ramo descendente da artéria femoral circunflexa lateral, ideal para grandes perdas teciduais.
A reconstrução de membros inferiores com exposição óssea e perda de periósteo representa um desafio cirúrgico significativo. Nessas situações, o enxerto de pele não é viável, exigindo a transferência de tecidos vascularizados (retalhos). O retalho anterolateral da coxa (ALT), descrito inicialmente por Song em 1984, tornou-se um dos retalhos livres mais populares do mundo.\n\nSua anatomia é baseada em perfurantes que emergem do ramo descendente da artéria femoral circunflexa lateral. A dissecção exige precisão para identificar se as perfurantes são septocutâneas (passam entre os músculos) ou musculocutâneas (atravessam o vasto lateral). A versatilidade do ALT permite que ele seja colhido como um retalho ultrafino ou como um retalho quimérico, incluindo partes do músculo vasto lateral para preencher espaços mortos em fraturas complexas.
O retalho anterolateral da coxa (ALT) é considerado um 'workhorse' (cavalo de batalha) na cirurgia reconstrutiva devido à sua versatilidade. Ele possui um pedículo vascular longo e de calibre confiável, permite a inclusão de diferentes componentes (pele, fáscia, músculo) e apresenta baixa morbidade na área doadora. Além disso, a área doadora pode ser fechada primariamente na maioria dos casos e a dissecção pode ser feita em posição supina, facilitando o trabalho simultâneo de duas equipes cirúrgicas.
A artéria femoral circunflexa lateral é geralmente um ramo da artéria femoral profunda. Ela se divide em três ramos principais: ascendente, transversal e descendente. O ramo descendente cursa inferiormente no septo entre os músculos vasto lateral e reto femoral, emitindo perfurantes musculocutâneas ou septocutâneas que nutrem a pele da região anterolateral da coxa, formando a base vascular do retalho ALT.
A escolha depende da localização da lesão. Para o terço superior da perna, retalhos musculares locais (como o gastrocnêmio) são ideais. Para o terço médio, o músculo sóleo pode ser usado. No entanto, para lesões extensas no terço médio ou qualquer lesão no terço inferior (onde há pouca disponibilidade de tecido local), os retalhos livres microcirúrgicos, como o ALT ou o de grande dorsal, são as melhores opções para garantir cobertura estável e proteção de estruturas nobres.
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