RCIU Tardio: Diagnóstico e Conduta no Termo

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

S.P.T., 33 anos, GII PI1N A0, idade gestacional de 37 semanas e 1 dia, veio à medicina fetal para ultrassom obstétrico com doppler. No exame: peso fetal no percentil 9, circunferência abdominal no percentil 2, doppler de artéria umbilical normal. Placenta anterior, grau II de Grannum, MBV (maior bolsão vertical): 45 mm, BCF: 133 bpm. No exame físico: AU: 32 cm, dinâmica uterina ausente; ao toque vaginal: colo impérvio, grosso e posterior. De acordo com o caso relatado, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico correto e conduta mais adequada:

Alternativas

  1. A) Restrição de crescimento intrauterino precoce; indução do trabalho de parto.
  2. B) Restrição de crescimento intrauterino precoce; parto cesariano.
  3. C) Restrição de crescimento intrauterino tardio; indução do trabalho de parto.
  4. D) Restrição do crescimento intrauterino tardio; parto cesariano.
  5. E) Feto pequeno para a idade gestacional; programar parto com 39-40 semanas.

Pérola Clínica

RCIU tardio (>32s) com Doppler normal + Termo (≥37s) → Indução do parto.

Resumo-Chave

A restrição de crescimento tardia ocorre após 32 semanas e, mesmo com Doppler umbilical normal, o risco de óbito fetal aumenta, justificando o parto no termo.

Contexto Educacional

A Restrição de Crescimento Intrauterino (RCIU) tardia é um desafio na obstetrícia moderna, pois muitos desses fetos apresentam Doppler de artéria umbilical normal, mas possuem alto risco de resultados perinatais adversos. O diagnóstico baseia-se na biometria fetal (Peso Fetal Estimado ou Circunferência Abdominal < percentil 10). Diferente da RCIU precoce, a tardia correlaciona-se com uma disfunção placentária de 'baixa pressão'. O manejo envolve a vigilância rigorosa e a decisão do momento do parto. Se o Doppler umbilical for normal, aguarda-se até 37-38 semanas para indução. Se houver alteração na relação cerebroplacentária ou Doppler de cerebral média, o parto pode ser antecipado. A via de parto preferencial é a vaginal, com monitorização intraparto cuidadosa.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre RCIU precoce e tardio?

A RCIU precoce ocorre antes de 32 semanas e geralmente está associada a insuficiência placentária grave e pré-eclâmpsia, com alterações evidentes no Doppler da artéria umbilical. A RCIU tardia ocorre a partir de 32 semanas, é mais comum, e o Doppler da artéria umbilical costuma ser normal, dificultando o diagnóstico. Na RCIU tardia, a falha placentária é sutil, mas o feto tem menor tolerância à hipóxia, aumentando o risco de morte súbita.

Como diferenciar feto PIG de RCIU?

O feto Pequeno para a Idade Gestacional (PIG) constitucional é aquele com peso entre o percentil 3 e 10, mas com Doppler normal e crescimento mantido em seu canal. A RCIU é diagnosticada quando o peso estimado ou a circunferência abdominal estão abaixo do percentil 3, ou entre 3 e 10 associado a Doppler alterado (artéria umbilical, cerebral média ou relação cerebroplacentária) ou queda de percentil de crescimento.

Por que induzir o parto às 37 semanas na RCIU tardia com Doppler normal?

Em casos de RCIU tardia (diagnóstico por CA ou Peso < p10) com Doppler de artéria umbilical normal, a conduta recomendada é a interrupção da gestação a partir de 37 semanas. Isso ocorre porque o benefício de evitar a morte fetal tardia e complicações perinatais supera os riscos da prematuridade tardia, uma vez que a placenta já demonstra sinais de insuficiência funcional para manter o crescimento adequado.

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