ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma gestante realiza ultrassonografia com 24 semanas, que identifica gestação gemelar monocoriônica, diamniótica, com um feto com peso estimado no percentil 3 e o outro com peso estimado no percentil 43. Eles têm uma diferença de 28% entre os pesos. Ambos os fetos estão com volume do líquido amniótico normal e ambos com o doppler da artéria umbilical, da artéria cerebral média e do ducto venoso dentro da normalidade.O diagnóstico compatível com esse quadro é:
Gestação monocoriônica + diferença de peso > 25% entre fetos + Dopplers normais = RCIU seletiva.
A Restrição de Crescimento Intrauterino (RCIU) seletiva em gestações gemelares monocoriônicas é caracterizada por uma diferença significativa de peso entre os fetos (geralmente >20-25%), sem sinais de Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) ou Sequência de Anemia-Policitemia (TAPS), ou seja, com volumes de líquido amniótico e Dopplers normais. A placenta monocoriônica com anastomoses vasculares desequilibradas é a base fisiopatológica.
A gestação gemelar monocoriônica, onde os fetos compartilham a mesma placenta, é de alto risco e pode apresentar diversas complicações, incluindo a Restrição de Crescimento Intrauterino (RCIU) seletiva. Esta condição é caracterizada por uma diferença significativa no crescimento entre os fetos, geralmente com um deles abaixo do percentil 10 de peso. O diagnóstico precoce é fundamental para o manejo adequado e para otimizar os resultados perinatais. O RCIU seletiva é diagnosticada quando há uma diferença de peso estimada entre os fetos superior a 20-25% em uma gestação monocoriônica, sem os sinais clássicos da Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF), como a sequência oligodramnia-polidramnia. Os exames de Doppler fetal, incluindo a artéria umbilical, artéria cerebral média e ducto venoso, geralmente se encontram dentro da normalidade ou com alterações leves, o que ajuda a diferenciar a RCIU seletiva de outras complicações da gemelaridade monocoriônica, como a STFF e a Sequência de Anemia-Policitemia (TAPS). O manejo da RCIU seletiva depende do tipo (I, II ou III, conforme as alterações do Doppler) e da idade gestacional. O acompanhamento ultrassonográfico rigoroso é essencial para monitorar o crescimento fetal e o bem-estar de ambos os fetos. Em alguns casos, pode ser necessária intervenção, como a oclusão do cordão umbilical do feto restrito, especialmente em casos de RCIU seletiva tipo III com alto risco de óbito ou sequelas neurológicas para o feto maior. O prognóstico varia, mas a vigilância ativa é a chave para a melhor condução do caso.
Os critérios diagnósticos para RCIU seletiva incluem uma gestação gemelar monocoriônica e uma diferença de peso estimada entre os fetos superior a 20-25%, com um dos fetos apresentando peso abaixo do percentil 10. Diferentemente da STFF, os volumes de líquido amniótico e os parâmetros de Doppler fetal (artéria umbilical, cerebral média, ducto venoso) são geralmente normais ou minimamente alterados.
A RCIU seletiva se diferencia da STFF pela ausência de discrepância significativa no volume de líquido amniótico (polidramnia no feto receptor e oligodramnia no feto doador) e pela ausência de alterações graves nos Dopplers cardíacos e vasculares que são típicas da STFF. Embora ambas ocorram em gestações monocoriônicas, a STFF é primariamente um desequilíbrio de fluxo sanguíneo, enquanto a RCIU seletiva é mais relacionada a uma distribuição desigual da massa placentária.
A fisiopatologia da RCIU seletiva está relacionada à distribuição desigual da massa placentária e à presença de anastomoses vasculares na placenta monocoriônica. Um feto pode receber uma porção menor e/ou menos eficiente da placenta, resultando em restrição de crescimento. As anastomoses vasculares podem ser desequilibradas, mas não a ponto de causar as alterações hemodinâmicas e de volume de líquido amniótico vistas na STFF.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo