Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2024
Paciente G2P1A0, idade gestacional de 36 semanas, é atendida em consulta de rotina prénatal. Ao exame: PA: 150x90 mmHg, AUF: 27 cm, BCF: 138 bpm. O ginecologista encaminha a paciente a Santa Casa de Alfenas onde é realizado ultrassonografia com Doppler Obstétrico, com o seguinte resultado ao ultrassonograma da artéria umbilical:Diante deste achado, a conduta deve ser:
RCIU + Doppler umbilical alterado (não crítico) + pré-eclâmpsia → Corticoide + CTG semanal.
Diante de Restrição de Crescimento Intrauterino (RCIU) e pré-eclâmpsia com Doppler de artéria umbilical alterado, mas sem sinais de comprometimento fetal grave (que indicaria interrupção imediata), a conduta é otimizar a maturidade pulmonar fetal com corticoide e monitorar rigorosamente o bem-estar fetal com cardiotocografia semanal.
A Restrição de Crescimento Intrauterino (RCIU) é uma condição em que o feto não atinge seu potencial genético de crescimento, frequentemente associada a condições maternas como a pré-eclâmpsia. O Doppler da artéria umbilical é uma ferramenta essencial para avaliar a resistência vascular placentária e o bem-estar fetal. Achados como aumento do Índice de Pulsatilidade (IP) ou Índice de Resistência (IR) indicam maior resistência e risco de hipóxia, mas a conduta varia conforme a gravidade. Em casos de RCIU e pré-eclâmpsia com Doppler de artéria umbilical alterado, mas sem sinais de comprometimento fetal grave (como fluxo diastólico reverso), a conduta visa prolongar a gestação o máximo possível para otimizar a maturidade fetal, enquanto se monitora rigorosamente o bem-estar. A administração de corticosteroides é fundamental para acelerar a maturidade pulmonar fetal, especialmente em gestações pré-termo, reduzindo a morbimortalidade neonatal. O monitoramento contínuo com cardiotocografia basal semanal e, se necessário, perfil biofísico fetal e Doppler de outras artérias (como a cerebral média e o ducto venoso), é crucial para identificar precocemente a deterioração do bem-estar fetal. A decisão de interromper a gestação é complexa e deve ponderar o risco de prematuridade versus o risco de hipóxia intrauterina, sempre buscando o melhor desfecho para mãe e feto.
A interrupção da gestação é indicada quando há sinais de comprometimento fetal grave, como fluxo diastólico reverso na artéria umbilical, alterações significativas no ducto venoso, ou cardiotocografia não reativa persistente, indicando risco iminente de óbito fetal.
O corticoide (betametasona ou dexametasona) é administrado para acelerar a maturidade pulmonar fetal, reduzindo o risco de síndrome do desconforto respiratório neonatal, especialmente quando há risco de parto prematuro em gestações entre 24 e 34-36 semanas.
A cardiotocografia basal semanal avalia a reatividade cardíaca fetal e a presença de desacelerações, fornecendo informações sobre o bem-estar fetal e a presença de hipóxia. É um método não invasivo crucial para o acompanhamento de gestações de alto risco, como as com RCIU e pré-eclâmpsia.
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