INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2020
Paciente 32 anos, primigesta, comparece à consulta de pré-natal após ter perdido a consulta do mês anterior. Atualmente encontra-se com 32 semanas de gestação. Ao observar o cartão, nota-se que na consulta com 24 semanas, a altura uterina era de 20cm. No exame atual a altura uterina é de 26cm. É CORRETO concluir a respeito do crescimento uterino que:
AU < esperado para IG → suspeitar RCIU; USG obstétrica para confirmar e investigar causa.
A altura uterina (AU) é um indicador importante do crescimento fetal. Uma AU que não progride adequadamente ou está abaixo do esperado para a idade gestacional (IG) sugere restrição de crescimento intrauterino (RCIU), necessitando de investigação com ultrassonografia obstétrica para confirmar o diagnóstico e avaliar a vitalidade fetal.
A altura uterina (AU) é uma medida simples e de baixo custo, utilizada rotineiramente no pré-natal para rastrear o crescimento fetal. A medida é realizada do bordo superior da sínfise púbica ao fundo uterino. Espera-se que a AU, a partir da 20ª semana, corresponda aproximadamente à idade gestacional em centímetros (ex: 24 semanas = 24 cm, com variação de +/- 2-3 cm). Uma AU abaixo do percentil 10 para a idade gestacional ou uma progressão menor que 1 cm por semana após a 24ª semana levanta a suspeita de restrição de crescimento intrauterino (RCIU). A RCIU é uma condição na qual o feto não atinge seu potencial genético de crescimento, sendo um fator de risco para morbimortalidade perinatal. A fisiopatologia mais comum envolve a insuficiência placentária, que compromete o transporte de nutrientes e oxigênio para o feto. Outras causas incluem anomalias cromossômicas, infecções congênitas e doenças maternas. Diante da suspeita de RCIU pela altura uterina, a conduta imediata é a realização de uma ultrassonografia obstétrica detalhada. Este exame permite confirmar o diagnóstico, estimar o peso fetal, avaliar o volume de líquido amniótico (oligodramnio é comum na RCIU), e realizar a dopplerfluxometria para avaliar a circulação útero-placentária e feto-placentária. O manejo subsequente dependerá da causa, da idade gestacional e do grau de comprometimento fetal, podendo incluir monitoramento intensivo e, em alguns casos, antecipação do parto.
O principal sinal de alerta no pré-natal é a altura uterina (AU) menor que o esperado para a idade gestacional (IG) ou uma progressão inadequada da AU entre as consultas. Outros sinais podem incluir baixo ganho de peso materno.
A ultrassonografia é fundamental para confirmar o diagnóstico de RCIU, estimar o peso fetal, avaliar o volume de líquido amniótico, a morfologia fetal e o fluxo sanguíneo placentário e fetal (dopplerfluxometria), que ajudam a determinar a causa e a gravidade da restrição.
As causas de RCIU são variadas, incluindo insuficiência placentária (a mais comum), anomalias cromossômicas, infecções congênitas e doenças maternas (hipertensão, diabetes mal controlado). A insuficiência placentária geralmente leva a um RCIU assimétrico, enquanto anomalias e infecções podem causar RCIU simétrico.
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