PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2022
Mulher de 30 anos, G3P0A2, em seguimento regular de pré-natal, realizou ultrassonografia com 12 semanas, concordante com o tempo de amenorreia. Atualmente está com idade gestacional de 30 semanas, e refere endurecimento da barriga há 1 dia, acompanhado de saída de secreção espessa via vaginal. Antecedente pessoal: tabagismo. Exame fisico: altura uterina = 25 cm, batimento cardiofetais 152 bpm, dinámica uterina=ausente; especular ausência de secreções, pH=5,5. O diagnóstico é:
AU < IG (25 cm vs 30 sem) + tabagismo = forte suspeita de RCIU.
A altura uterina (AU) menor que a idade gestacional (IG) é um sinal de alerta para Restrição de Crescimento Intrauterino (RCIU). Neste caso, AU de 25 cm para 30 semanas de gestação, associado ao tabagismo materno (fator de risco importante para RCIU), sugere fortemente o diagnóstico de RCIU, que deve ser confirmado por ultrassonografia.
A Restrição de Crescimento Intrauterino (RCIU) é uma condição na qual o feto não atinge seu potencial genético de crescimento, resultando em um peso estimado abaixo do percentil 10 para a idade gestacional. É uma das principais causas de morbimortalidade perinatal, associada a um risco aumentado de complicações como asfixia perinatal, hipoglicemia, hipotermia, policitemia e, a longo prazo, doenças cardiovasculares e metabólicas na vida adulta. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para otimizar os resultados. O rastreamento da RCIU inicia-se no pré-natal com a medição seriada da altura uterina (AU). Uma AU que se encontra significativamente abaixo do esperado para a idade gestacional (geralmente uma diferença de 3 cm ou mais) é um sinal de alerta que exige investigação. Fatores de risco maternos, como o tabagismo, hipertensão, doenças crônicas e uso de substâncias, aumentam a probabilidade de RCIU e devem ser considerados na avaliação. A ultrassonografia é o método diagnóstico definitivo, permitindo a biometria fetal, avaliação do volume de líquido amniótico e estudo Doppler. No caso clínico apresentado, a altura uterina de 25 cm para 30 semanas de gestação, associada ao tabagismo materno, é altamente sugestiva de RCIU. A ausência de dinâmica uterina e pH vaginal normal (5,5) afasta trabalho de parto prematuro e amniorrexe, respectivamente. A secreção espessa via vaginal pode ser muco cervical normal ou um achado inespecífico. O manejo da RCIU envolve a monitorização fetal rigorosa, otimização das condições maternas (cessação do tabagismo, controle de comorbidades) e, em última instância, a interrupção da gestação em momento oportuno, considerando a maturidade fetal e o bem-estar.
Fatores de risco incluem tabagismo materno, hipertensão crônica, pré-eclâmpsia, doenças renais, diabetes pré-gestacional, infecções congênitas, anomalias cromossômicas e gestações múltiplas.
A altura uterina é uma medida de rastreamento simples e de baixo custo. Uma altura uterina que está 3 cm ou mais abaixo do esperado para a idade gestacional deve levantar a suspeita de RCIU e indicar uma ultrassonografia para avaliação mais detalhada do crescimento fetal.
A ultrassonografia é fundamental para o diagnóstico de RCIU, permitindo a biometria fetal (cálculo do peso estimado), avaliação do líquido amniótico (oligodramnia é comum) e estudo Doppler da circulação uteroplacentária e fetal para determinar a gravidade e etiologia.
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