RCF Grave: Doppler Fetal e Conduta Imediata

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2021

Enunciado

Secundigesta de 35 anos está com 31 semanas e 5 dias de uma gestação gemelar dicoriônica diamniótica. O gemelar 1 está com um crescimento fetal no percentil 20, mas o gemelar 2 está com o percentil abaixo de 5, volumes de líquidos amnióticos normais. Foi realizado um ciclo de corticoterapia antenatal com betametasona e neuroprofilaxia com sulfato de magnésio. Na avaliação de hoje, o Doppler da artéria umbilical está normal no gemelar 1, mas o gemelar 2 apresenta fluxo diastólico final ausente (diástole zero) com Doppler do ducto venoso demonstrando onda A reversa. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a conduta para esse caso. 

Alternativas

  1. A) Complementar com cardiotocografia de cada feto a cada 12 horas.
  2. B) Induzir e promover o parto vaginal.
  3. C) Proceder imediatamente ao parto via abdominal.
  4. D) Repetir o Doppler da artéria umbilical do gemelar 2 em uma semana.
  5. E) Repetir o Doppler do ducto venoso do gemelar 2 em três dias.

Pérola Clínica

RCF grave + Doppler ducto venoso com onda A reversa = sofrimento fetal iminente → parto imediato.

Resumo-Chave

A presença de fluxo diastólico final ausente na artéria umbilical, combinada com onda A reversa no ducto venoso, indica um grau avançado de centralização e sofrimento fetal grave. Nestes casos, a interrupção imediata da gestação, geralmente por via abdominal, é a conduta mais adequada para evitar óbito fetal, mesmo em prematuros.

Contexto Educacional

A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) em gestações gemelares, especialmente quando dicoriônicas diamnióticas, exige vigilância rigorosa. A avaliação dopplerfluxométrica é fundamental para monitorar o bem-estar fetal e identificar sinais de descompensação. Neste caso, o gemelar 2 apresenta RCF grave (percentil < 5) e alterações dopplerfluxométricas críticas: fluxo diastólico final ausente na artéria umbilical (diástole zero) e onda A reversa no ducto venoso. A diástole zero na artéria umbilical já indica comprometimento placentário significativo, mas a onda A reversa no ducto venoso é um sinal de sofrimento fetal iminente e descompensação hemodinâmica grave, com alto risco de óbito fetal. Diante de tais achados, a conduta expectante ou a repetição do exame em dias não é apropriada. A interrupção imediata da gestação, via abdominal (cesariana), é a medida mais indicada para tentar salvar o feto, mesmo com a prematuridade. A corticoterapia antenatal e a neuroprofilaxia com sulfato de magnésio já foram realizadas, otimizando as condições para o parto prematuro.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados dopplerfluxométricos que indicam sofrimento fetal grave em RCF?

Achados como fluxo diastólico final ausente ou reverso na artéria umbilical, e especialmente a onda A reversa no ducto venoso, são indicativos de sofrimento fetal grave e descompensação.

Por que a onda A reversa no ducto venoso é um sinal de alarme na RCF?

A onda A reversa no ducto venoso reflete um aumento significativo da pressão atrial direita e ventricular direita, indicando falha cardíaca incipiente e sofrimento fetal avançado, com alto risco de óbito.

Qual a conduta em uma gestação gemelar com RCF grave e Doppler de ducto venoso alterado?

Diante de RCF grave com onda A reversa no ducto venoso, a conduta é a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, para tentar salvar o feto comprometido, mesmo que o outro gemelar esteja estável.

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