HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Primigesta com 38 semanas e pré-natal sem intercorrências, apresenta ao exame ultrassonográfico feto com peso estimado em 2.240 gramas (percentil 1), em apresentação cefálica. Líquido amniótico com maior bolsão vertical de 3,2 cm e cardiotocografia categoria 1. O exame de Dopplervelocimetria mostrou índice de pulsatilidade (IP) da artéria cerebral média no percentil 15 e IP da artéria umbilical no percentil 96. Neste caso, qual a conduta a ser adotada?
RCF com centralização fetal (AU IP ↑, ACM IP ↓) e IG ≥ 37 semanas → Indução do parto.
A presença de restrição de crescimento fetal (RCF) com sinais de centralização (aumento do IP da artéria umbilical e diminuição do IP da artéria cerebral média) indica sofrimento fetal e insuficiência placentária. Em gestações a termo (≥ 37 semanas), a conduta é a interrupção da gestação.
A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é uma condição obstétrica comum, afetando cerca de 3-10% das gestações, e está associada a um risco aumentado de morbimortalidade perinatal. É crucial diferenciar o feto pequeno para a idade gestacional (PIG) constitucional da RCF patológica, que geralmente decorre de insuficiência placentária e exige monitoramento rigoroso. O diagnóstico da RCF baseia-se na estimativa do peso fetal abaixo do percentil 10 para a idade gestacional, mas a avaliação da dopplervelocimetria é fundamental para determinar a gravidade e o momento da intervenção. A centralização fetal, evidenciada pelo aumento do Índice de Pulsatilidade (IP) da artéria umbilical e diminuição do IP da artéria cerebral média, indica um mecanismo compensatório do feto para preservar o fluxo sanguíneo para órgãos nobres, como o cérebro, em detrimento de outros. A conduta em casos de RCF com centralização depende da idade gestacional e do grau de comprometimento. Em gestações a termo (≥ 37 semanas), a presença de centralização fetal, mesmo com outros parâmetros como líquido amniótico e cardiotocografia normais, é uma indicação para a interrupção da gestação, geralmente por indução do parto, visando prevenir complicações como sofrimento fetal agudo e óbito.
A centralização fetal é caracterizada pelo aumento do Índice de Pulsatilidade (IP) da artéria umbilical e pela diminuição do IP da artéria cerebral média, refletindo uma redistribuição do fluxo sanguíneo para órgãos vitais como o cérebro.
Feto PIG (Pequeno para Idade Gestacional) refere-se a um feto com peso abaixo do percentil 10, que pode ser constitucionalmente pequeno. RCF (Restrição de Crescimento Fetal) é um feto que não atinge seu potencial de crescimento devido a uma patologia, geralmente com alterações na dopplervelocimetria.
A indução do parto é indicada em RCF com centralização fetal a partir de 37 semanas de gestação, ou antes, dependendo do grau de comprometimento fetal e da idade gestacional, para evitar desfechos adversos.
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