Manejo da Diástole Zero na Artéria Umbilical

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025

Enunciado

F.B.V., 27 anos, GIII PII 1N 1C há 2 anos A0, idade gestacional por ultrassom precoce de 34 semanas e 1 dia, hipertensa crônica, em uso de metildopa 2 g/dia. Veio encaminhada ao pronto-socorro obstétrico pela Medicina Fetal por apresentar ao ultrassom: feto em apresentação cefálica, peso fetal no percentil 2, placenta anterior, grau II de Grannum, Maior bolsão vertical: 3 cm, Doppler: artéria umbilical com diástole zero. Ao exame físico: normotensa, dinâmica uterina ausente, colo uterino impérvio, assintomática. Relação proteína na urina/creatinina na urina: 0,2.De acordo com o caso, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta.

Alternativas

  1. A) Alta com reavaliação da vitalidade fetal com cardiotocografia a cada 3 dias.
  2. B) Internação para indução do trabalho de parto com misoprostol.
  3. C) Internação para preparo do colo uterino com sonda de Foley.
  4. D) Internação para indução do trabalho de parto com ocitocina.
  5. E) Internação para interrupção da gestação por via alta.

Pérola Clínica

Diástole zero em artéria umbilical após 32-34 semanas = Interrupção da gestação por via alta.

Resumo-Chave

A diástole zero na artéria umbilical reflete alta resistência placentária (perda de >70% da árvore vascular). Em gestações >32-34 semanas, o risco de óbito fetal supera o da prematuridade.

Contexto Educacional

A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é uma das principais causas de morbimortalidade perinatal. O uso da Dopplerfluxometria revolucionou o manejo, permitindo diferenciar o feto 'pequeno constitucional' do feto com insuficiência placentária real. A artéria umbilical reflete a resistência do compartimento placentário. Quando a resistência é extrema, surge a diástole zero. O protocolo de manejo sugere que, a partir de 32 a 34 semanas, a presença de diástole zero é indicação de parto. A escolha da via depende das condições obstétricas, mas a fragilidade fetal frequentemente impõe a cesariana. O acompanhamento de gestantes hipertensas crônicas deve ser rigoroso, pois apresentam risco aumentado de RCF e pré-eclâmpsia sobreposta.

Perguntas Frequentes

O que significa diástole zero na artéria umbilical?

A diástole zero (ou reversa) na artéria umbilical é um achado ultrassonográfico que indica um aumento crítico na resistência vascular da placenta. Isso ocorre quando a pressão na circulação fetal durante a diástole não é suficiente para empurrar o sangue através do leito placentário obliterado. É um marcador de insuficiência placentária grave e está associado a hipóxia fetal, acidose e risco iminente de morte intrauterina, exigindo vigilância rigorosa ou interrupção imediata dependendo da idade gestacional.

Por que a via de parto preferencial é a cesárea na diástole zero?

Fetos com Doppler umbilical alterado (diástole zero ou reversa) possuem reserva funcional placentária mínima. Durante as contrações uterinas do trabalho de parto, ocorre uma redução fisiológica temporária do aporte sanguíneo para o espaço interviloso. Um feto já comprometido não tolera esse estresse, evoluindo rapidamente para sofrimento fetal agudo. Portanto, se o colo uterino não for favorável para um parto rápido, a via alta (cesárea) é indicada para garantir a segurança fetal.

Qual a conduta na RCF com Doppler umbilical normal?

Se o feto apresenta restrição de crescimento (peso < percentil 10), mas o Doppler da artéria umbilical é normal, a conduta geralmente é expectante com vigilância semanal ou quinzenal. Nesses casos, o parto pode ser aguardado até o termo (37-39 semanas), dependendo de outros parâmetros como o perfil biofísico fetal e o Doppler da artéria cerebral média (para avaliar centralização). A interrupção precoce só se justifica se houver deterioração dos índices de vigilidade.

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