UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022
Primigesta de 19 anos com idade gestacional de 31 semanas apresenta altura uterina abaixo do percentil 10. US: morfologia fetal normal, peso estimado no percentil 3 para a idade gestacional e resistência aumentada ao doppler das artérias umbilicais. O provável diagnóstico é:
RCF precoce: <32 semanas, peso <p10, doppler alterado (resistência ↑ artéria umbilical) → insuficiência placentária grave.
A paciente apresenta idade gestacional de 31 semanas, com altura uterina e peso estimado fetal abaixo do percentil 10 (especificamente p3), e resistência aumentada ao doppler das artérias umbilicais. A combinação de início antes das 32 semanas e alterações no doppler umbilical (indicativo de insuficiência placentária) caracteriza a Restrição de Crescimento Fetal precoce, que geralmente está associada a uma etiologia placentária mais grave.
A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é definida como a incapacidade do feto de atingir seu potencial genético de crescimento, resultando em um peso estimado abaixo do percentil 10 para a idade gestacional. É uma das principais causas de morbimortalidade perinatal, com prevalência de 5-10% das gestações. A importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce e manejo adequado para otimizar o prognóstico fetal, prevenindo complicações como hipóxia, acidose, morte intrauterina e sequelas neurológicas a longo prazo. A fisiopatologia da RCF é heterogênea, mas a causa mais comum é a insuficiência placentária, que leva a um suprimento inadequado de nutrientes e oxigênio ao feto. A RCF pode ser classificada em precoce (antes de 32 semanas) e tardia (após 32 semanas), com a RCF precoce frequentemente associada a alterações mais graves no doppler (como aumento da resistência da artéria umbilical) e maior risco de desfechos adversos. O diagnóstico envolve a medição da altura uterina, ultrassonografia para estimativa de peso fetal e avaliação do doppler de vasos fetais e maternos. A suspeita deve surgir quando a altura uterina está abaixo do esperado ou em gestações de risco. O manejo da RCF é complexo e individualizado, focando na vigilância fetal rigorosa e no momento ideal do parto. A vigilância inclui cardiotocografia, perfil biofísico e doppler seriado. Não há tratamento específico para reverter a RCF, mas medidas como repouso e nutrição materna podem ser consideradas. A corticoterapia antenatal é indicada para maturação pulmonar fetal em casos de risco de parto prematuro. O parto é geralmente indicado quando há sinais de comprometimento fetal ou quando o risco de manter a gestação supera o benefício, visando evitar a hipóxia e acidose.
A RCF precoce é diagnosticada antes de 32 semanas de gestação e geralmente está associada a alterações mais graves no doppler da artéria umbilical, refletindo insuficiência placentária severa. A RCF tardia ocorre após 32 semanas, com alterações doppler mais sutis ou ausentes, e um prognóstico geralmente melhor.
A resistência aumentada no doppler das artérias umbilicais indica um aumento da impedância ao fluxo sanguíneo placentário, sugerindo insuficiência placentária. Isso significa que a placenta não está fornecendo nutrientes e oxigênio adequadamente ao feto, o que é um marcador de gravidade na RCF.
Um feto pequeno constitucional apresenta peso abaixo do percentil 10, mas com doppler normal, crescimento fetal paralelo ao seu próprio percentil e ausência de sinais de sofrimento fetal. A RCF, por outro lado, apresenta peso abaixo do percentil 10 com evidências de comprometimento fetal, como alterações no doppler ou desaceleração do crescimento.
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