RCF: Doppler do Ducto Venoso e Risco de Óbito Fetal

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente com 34 semanas de gestação, G=3, P=2, A=0, tabagista, em acompanhamento de pré-natal em Unidade Básica de Saúde (UBS). Foi feita a hipótese diagnóstica de restrição de crescimento fetal (RCF), sendo então encaminhada ao pré-natal de alto risco para confirmação do diagnóstico e acompanhamento. De acordo com estes dados, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A circunferência abdominal (CA) é menor na presença de RCF, em virtude da diminuição do tamanho do fígado, da diminuição do glicogênio acumulado e da depleção do tecido adiposo da região abdominal. Isoladamente, a CA não é a medida de maior sensibilidade para detecção da RCF.
  2. B) A redistribuição do fluxo sanguíneo para territórios nobres (centralização), decorrente da hipoxemia, tem como consequência a vasoconstrição cerebral, o que pode ser verificado pela dopplervelocimetria da artéria uterina (AU).
  3. C) A dopplervelocimetria da veia umbilical faz o diagnóstico do grau de insuficiência placentária e diferencia fetos pequenos constitucionalmente dos fetos com restrição de crescimento, além de avaliar a resposta fetal à hipoxemia.
  4. D) O Doppler do ducto venoso alterado é considerado o parâmetro isolado com maior capacidade em predizer óbito fetal, em curto prazo, na presença de RCF. O achado de onda A zero ou reversa no Doppler do ducto venoso está associado a maiores taxas de mortalidade perinatal, independentemente da idade gestacional.

Pérola Clínica

Ducto venoso alterado (onda A zero/reversa) = maior preditor de óbito fetal em RCF, independente da IG.

Resumo-Chave

A dopplervelocimetria do ducto venoso é crucial na avaliação da RCF, pois reflete a função cardíaca fetal e a sobrecarga ventricular direita. Alterações como onda A zero ou reversa indicam descompensação fetal grave e risco iminente de óbito, exigindo intervenção.

Contexto Educacional

A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é uma condição obstétrica complexa definida pelo peso fetal estimado abaixo do percentil 10 para a idade gestacional, com potencial de morbimortalidade perinatal aumentada. Sua identificação precoce e manejo adequado são cruciais para otimizar os resultados maternos e fetais, sendo um tema de grande relevância em provas de residência e na prática clínica. O diagnóstico e acompanhamento da RCF envolvem a ultrassonografia seriada e a dopplervelocimetria. Enquanto a circunferência abdominal é um parâmetro sensível para o diagnóstico, a dopplervelocimetria avalia a hemodinâmica fetal e placentária. A centralização fetal (vasodilatação cerebral e vasoconstrição umbilical) é um sinal de hipóxia, mas o Doppler do ducto venoso é o marcador mais fidedigno de descompensação grave, refletindo a sobrecarga cardíaca. A presença de onda A zero ou reversa no Doppler do ducto venoso indica falência cardíaca incipiente e hipoxemia grave, sendo o parâmetro isolado com maior capacidade de predizer óbito fetal em curto prazo, independentemente da idade gestacional. Nesses casos, a conduta geralmente envolve a interrupção da gestação, considerando a maturidade fetal e a condição materna, para evitar desfechos adversos.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do Doppler do ducto venoso na RCF?

O Doppler do ducto venoso é um indicador chave da função cardíaca fetal e da resposta à hipóxia na RCF. Alterações como onda A zero ou reversa refletem descompensação grave e são os melhores preditores de óbito fetal em curto prazo.

Como a centralização fetal se manifesta na dopplervelocimetria?

A centralização fetal, um mecanismo compensatório à hipóxia, é caracterizada pela redistribuição do fluxo sanguíneo para órgãos nobres. Na dopplervelocimetria, isso se manifesta como diminuição da resistência na artéria cerebral média e aumento na artéria umbilical.

Quais são os principais marcadores ultrassonográficos de RCF?

Os principais marcadores incluem a circunferência abdominal (CA) abaixo do percentil 10, peso fetal estimado (PFE) abaixo do percentil 10, e alterações na dopplervelocimetria, como índice de pulsatilidade da artéria umbilical elevado e da artéria cerebral média diminuído.

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