RCF Grave: Manejo com Doppler do Ducto Venoso

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Para responder à questão, leia o caso a seguir.E.S.S, 29 anos, primigesta, IG por usg precoce de 28 semanas e 3 dias. Hipertensa crônica, em uso de metildopa 2 g/dia, deu entrada no PSO com ultrassom demonstrando diástole zero em artéria umbilical, peso fetal no percentil 6, ducto venoso IP: 0,50, maior bolsão vertical de 3 cm. Assintomática, PA de 130 x 80 mmHg.Assinale a conduta correta.

Alternativas

  1. A) Corticoide, sulfato de magnésio e interrupção da gestação via alta.
  2. B) Interrupção da gestação via alta de emergência, sem medidas prévias.
  3. C) Corticoide, sulfato de magnésio por iminência de eclâmpsia e indução do trabalho de parto com Misoprostol.
  4. D) Alta e retorno semanal para controle da vitalidade fetal.
  5. E) Internação para controle diário do doppler do ducto venoso.

Pérola Clínica

RCF grave (diástole zero umbilical, P6) + ducto venoso alterado → Internação e monitorização diária do ducto venoso.

Resumo-Chave

O caso apresenta uma restrição de crescimento fetal (RCF) grave e precoce (28s3d), com sinais de centralização (diástole zero na artéria umbilical) e comprometimento hemodinâmico fetal inicial (IP do ducto venoso alterado). A conduta é a internação para monitorização intensiva da vitalidade fetal, especialmente do ducto venoso, que é um marcador prognóstico crucial.

Contexto Educacional

A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é uma condição complexa que afeta 5-10% das gestações e é uma das principais causas de morbimortalidade perinatal. A RCF precoce, antes de 32 semanas, é frequentemente associada a disfunção placentária grave e tem pior prognóstico. O manejo exige vigilância intensiva. O doppler da artéria umbilical com diástole zero indica aumento significativo da resistência vascular placentária, um sinal de comprometimento fetal. A centralização (redistribuição do fluxo sanguíneo para órgãos vitais) é uma resposta compensatória. O ducto venoso é um marcador de comprometimento mais avançado, e sua alteração (IP > 0,50 ou onda A ausente/reversa) indica risco iminente de acidose e óbito fetal. O oligodramnia (maior bolsão vertical de 3 cm) também é um sinal de sofrimento fetal. Nesse cenário de RCF grave e precoce com sinais de comprometimento hemodinâmico, a conduta não é a interrupção imediata, mas sim a internação para monitorização diária e rigorosa da vitalidade fetal, especialmente do ducto venoso. Isso permite otimizar o momento da interrupção, administrando corticoides para maturação pulmonar e sulfato de magnésio para neuroproteção, se a idade gestacional permitir, antes que o comprometimento se torne irreversível. A alta e retorno semanal seria negligente. A interrupção de emergência sem medidas prévias pode ser precipitada se o ducto venoso ainda não estiver com onda A reversa.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados ultrassonográficos que indicam RCF grave e comprometimento fetal?

Achados incluem peso fetal abaixo do P10 (ou P3 para RCF precoce), diástole zero ou reversa na artéria umbilical, centralização (relação cerebroplacentária alterada) e alterações no ducto venoso.

Qual a importância do doppler do ducto venoso na RCF?

O doppler do ducto venoso é um dos últimos marcadores a se alterar na RCF, indicando comprometimento hemodinâmico grave e iminência de acidose fetal, sendo crucial para decidir o momento da interrupção da gestação.

Quando considerar a interrupção da gestação em casos de RCF grave?

A interrupção é considerada quando há sinais de comprometimento fetal grave e progressivo (ex: ducto venoso com onda A reversa, bradicardia, perfil biofísico alterado), ou quando os riscos de manter a gestação superam os benefícios.

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