INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma primigesta de 17 anos, com idade gestacional de 35semanas, comparece a pré-natal com queixa de náuseas e relato de vômitos, em média, 4 vezes por dia. Ao exame físico, é identificado que a altura do fundo uterino está 3 cm menor que o esperado para a idade gestacional. O médico orienta exame de ecografia obstétrica devido à suspeita de restrição de crescimento fetal.Considerando-se os parâmetros ecográficos que podem ser utilizados para avaliar essa condição, assinale a alternativa correta.
RCF → Circunferência abdominal fetal é a medida mais sensível; Doppler avalia circulação feto-placentária e fetal.
A circunferência abdominal fetal é a medida biométrica mais sensível para o diagnóstico de Restrição de Crescimento Fetal (RCF), pois reflete o acúmulo de glicogênio hepático e tecido adiposo, sendo o primeiro a ser afetado na desnutrição. O estudo Doppler é crucial para avaliar a hemodinâmica feto-placentária e fetal, auxiliando na identificação da causa e na tomada de decisões sobre o manejo.
A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é uma condição na qual o feto não atinge seu potencial genético de crescimento, resultando em um peso estimado abaixo do percentil 10 para a idade gestacional. É uma das principais causas de morbimortalidade perinatal, associada a um risco aumentado de complicações como asfixia, hipoglicemia, hipotermia e problemas de desenvolvimento a longo prazo. A suspeita clínica geralmente surge a partir de uma altura de fundo uterino menor que o esperado, como no caso apresentado. O diagnóstico da RCF é primariamente ecográfico. A circunferência abdominal fetal (CA) é reconhecida como a medida isolada de maior sensibilidade para identificar a RCF, pois o fígado fetal, que armazena glicogênio, é um dos primeiros órgãos a ser afetado pela restrição nutricional, resultando em uma diminuição do perímetro abdominal. Outras medidas como o diâmetro biparietal (DBP), circunferência cefálica (CC) e comprimento do fêmur (CF) também são utilizadas, mas a CA reflete melhor o estado nutricional e o comprometimento do crescimento. O estudo Doppler é uma ferramenta essencial no manejo da RCF, permitindo a avaliação da circulação materna (artérias uterinas), feto-placentária (artéria umbilical) e fetal (artéria cerebral média, ducto venoso). Alterações no Doppler, como aumento da resistência na artéria umbilical ou redistribuição de fluxo para o cérebro (efeito "brain sparing"), indicam comprometimento fetal e auxiliam na estratificação do risco e na decisão sobre o momento e a via de parto, visando reduzir a prematuridade iatrogênica e a mortalidade perinatal.
Os principais parâmetros incluem a circunferência abdominal (CA), comprimento do fêmur (CF), diâmetro biparietal (DBP) e circunferência cefálica (CC). A CA é considerada a medida isolada mais sensível, e o peso fetal estimado (PFE) é calculado a partir de uma combinação dessas medidas.
O estudo Doppler é fundamental para avaliar a hemodinâmica feto-placentária e fetal, incluindo as artérias umbilicais, artéria cerebral média e ducto venoso. Ele ajuda a determinar a gravidade da restrição, a presença de redistribuição de fluxo e o risco de hipóxia fetal, orientando a conduta e o momento do parto.
Existem dois tipos principais: RCF simétrica (precoce), onde todas as medidas fetais são proporcionalmente pequenas, e RCF assimétrica (tardia), onde o abdome é desproporcionalmente menor que a cabeça e os membros, indicando uma adaptação fetal à insuficiência placentária com 'brain sparing'.
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