RCF Grave: Doppler, Conduta e Interrupção Gestacional

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

T.E.B., 37 anos, hipertensa crônica, GIV PII (2N) AI, IG 28 semanas e 3 dias, internada há cerca de 2 semanas por doppler de artéria umbilical apresentar diástole zero intermitente em inserção abdominal do cordão, em alça de cordão e em inserção placentária do cordão. Peso fetal no percentil 2, de acordo com a curva de Hadlock. ILA normal, placenta anterior GII/III, feto em apresentação cefálica. Repetiu ultrassom que demonstrou diástole zero nos 3 segmentos do cordão umbilical e ducto venoso com IP (índice de pulsatilidade) de 1,12. A conduta adequada é

Alternativas

  1. A) corticoide, 1 dose, sulfato de magnésio por 24 horas e indução do trabalho de parto.
  2. B) corticoide, 1 dose, sulfato de magnésio por 36 horas e interrupção da gestação por via alta.
  3. C) corticoide, 2 doses, sulfato de magnésio por, no máximo, 24 horas e interrupção da gestação por via alta.
  4. D) corticoide, 2 doses, sem administração de sulfato de magnésio e indução do trabalho de parto.

Pérola Clínica

RCF grave com diástole zero/reversa na umbilical e IP ducto venoso alterado → corticoide (2 doses), sulfato de magnésio (neuroproteção) e interrupção via alta.

Resumo-Chave

Em gestação com RCF grave (percentil 2) e alterações Doppler avançadas (diástole zero na artéria umbilical e IP do ducto venoso alterado), indicando risco iminente de descompensação fetal, a conduta é corticoide para maturação pulmonar, sulfato de magnésio para neuroproteção fetal e interrupção da gestação por via alta.

Contexto Educacional

A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é uma condição séria que afeta cerca de 5-10% das gestações e está associada a um aumento significativo da morbimortalidade perinatal. A RCF é definida como a falha do feto em atingir seu potencial genético de crescimento, geralmente diagnosticada por um peso fetal estimado abaixo do percentil 10 para a idade gestacional. A etiologia é multifatorial, mas a insuficiência placentária é a causa mais comum, levando a um comprometimento do fluxo sanguíneo uteroplacentário. O monitoramento da RCF é realizado principalmente através da ultrassonografia com Doppler, que avalia a hemodinâmica fetal e placentária. A sequência de alterações Doppler reflete a progressão da insuficiência placentária: inicialmente, há aumento da resistência na artéria umbilical (aumento do IP), seguido por diástole zero e, em casos mais graves, diástole reversa. A centralização (diminuição do IP na artéria cerebral média) é um mecanismo compensatório. As alterações no ducto venoso (aumento do IP, onda A ausente ou reversa) são os últimos marcadores a se alterarem, indicando descompensação fetal avançada e iminente risco de óbito. A conduta na RCF grave com alterações Doppler avançadas, como diástole zero na artéria umbilical e IP alterado no ducto venoso, é a interrupção da gestação. Antes da interrupção, especialmente em idades gestacionais prematuras, são administrados corticoides para maturação pulmonar fetal (geralmente 2 doses) e sulfato de magnésio para neuroproteção fetal, visando reduzir o risco de paralisia cerebral. A via de parto geralmente é a cesariana devido à fragilidade fetal e à necessidade de evitar o estresse do trabalho de parto.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados Doppler que indicam RCF grave e sofrimento fetal?

Achados como diástole zero ou reversa na artéria umbilical, aumento do índice de pulsatilidade (IP) na artéria cerebral média (centralização), e alterações no ducto venoso (IP elevado, onda A ausente ou reversa) indicam RCF grave e risco de descompensação fetal.

Qual o papel do corticoide e do sulfato de magnésio na RCF grave?

O corticoide (betametasona ou dexametasona) é administrado para acelerar a maturação pulmonar fetal. O sulfato de magnésio é usado para neuroproteção fetal, reduzindo o risco de paralisia cerebral em prematuros extremos.

Quando a interrupção da gestação é indicada em casos de RCF grave?

A interrupção da gestação é indicada quando há evidências de sofrimento fetal avançado, como alterações significativas no Doppler (diástole reversa na umbilical, alterações no ducto venoso), ou deterioração do bem-estar fetal, mesmo após a administração de corticoide e sulfato de magnésio.

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