UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021
M.L. 34 anos, gestante, com 35 semanas de gestação pela amenorreia. Em acompanhamento em ambulatório de alto risco devido à pré-eclâmpsia. Em uso de alfametildopa 250mg de 6/6h. Comparece hoje no pronto-socorro de ginecologia e obstetrícia para avaliação da vitalidade fetal, traz 4 ultrassonografias (USG) obstétricas referidas a seguir. Paciente se diz confusa em relação ao tempo de gestação, pois cada exame diz um tempo de gestação diferente:1ª: realizada com 9 semanas de gestação – hoje com 35 semanas por essa USG.2ª: realizada com 18 semanas de gestação – hoje com 34 semanas por essa USG.3ª: realizada com 31 semanas de gestação – hoje com 33 semanas por essa USG.4ª: realizada ontem – hoje com 32 semanas e 4 dias por essa USG.Com base no exposto pede-se respectivamente: qual a idade gestacional hoje e o provável diagnóstico fetal?
USG 1º trimestre = IG mais precisa. Discrepância progressiva em pré-eclâmpsia → RCF.
A idade gestacional mais precisa é determinada pela ultrassonografia do primeiro trimestre. Uma discrepância progressiva entre a idade gestacional esperada e a idade gestacional estimada por ultrassonografias subsequentes, especialmente em gestantes com pré-eclâmpsia, é um forte indicativo de restrição de crescimento fetal (RCF).
A determinação precisa da idade gestacional (IG) é fundamental para o acompanhamento da gravidez e para o diagnóstico de condições como a restrição de crescimento fetal (RCF). A ultrassonografia realizada no primeiro trimestre (até 13 semanas e 6 dias) é o método mais acurado para datar a gestação, com base na medida do comprimento cabeça-nádega (CCN). Ultrassonografias realizadas em trimestres posteriores têm maior margem de erro devido à variabilidade individual do crescimento fetal. No caso apresentado, a gestante com pré-eclâmpsia (fator de risco conhecido para RCF) apresenta uma discrepância progressiva entre a IG estimada pela USG de primeiro trimestre (35 semanas) e as USGs subsequentes, que mostram uma IG cada vez menor. Essa desaceleração do crescimento é o que caracteriza a RCF, uma condição patológica onde o feto não atinge seu potencial genético de crescimento devido a fatores maternos, placentários ou fetais. A pré-eclâmpsia, ao causar disfunção placentária, é uma causa comum de RCF. O diagnóstico de RCF é feito quando o peso fetal estimado ou a circunferência abdominal está abaixo do percentil 10 para a idade gestacional, associado a sinais de comprometimento do bem-estar fetal (ex: alterações no Doppler). O manejo envolve monitoramento rigoroso da vitalidade fetal e, em muitos casos, a interrupção da gestação quando os riscos de permanecer no ambiente intrauterino superam os benefícios, especialmente em casos de pré-eclâmpsia grave.
A ultrassonografia realizada entre 7 e 13 semanas e 6 dias de gestação é o método mais preciso para determinar a idade gestacional, com uma margem de erro de ± 5-7 dias. Isso ocorre porque o crescimento fetal é mais homogêneo nesse período, minimizando variações individuais.
Um feto PIG é constitucionalmente pequeno, mas com crescimento adequado e boa vitalidade. A RCF, por outro lado, é uma condição patológica onde o feto não atinge seu potencial genético de crescimento devido a fatores adversos (ex: insuficiência placentária, pré-eclâmpsia), apresentando sinais de comprometimento do bem-estar fetal e alterações no Doppler.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de RCF, pois leva à disfunção placentária, com redução do fluxo sanguíneo uteroplacentário. Isso compromete o fornecimento de nutrientes e oxigênio ao feto, resultando em crescimento subótimo e, em casos graves, comprometimento fetal.
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