Manejo da RCF com Diástole Zero e Ducto Venoso Normal

Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023

Enunciado

S.A., 34 anos, GIV PII (1N 1C) AI, IG usg precoce: 29 semanas e 1 dia, deu entrada no PSO com PA de 150 x 100 mmHg, encaminhada do pré natal, assintomática. Nega aumento prévio de níveis pressóricos. Ao exame obstétrico: AU 25 cm, DU ausente, BCF 150 bpm. Submetida a ultrassom obstétrico que demonstrou: FUV (feto único e vivo), apresentação cefálica, placenta anterior, grau II de Grannum, MBV (maior bolsão vertical): 2,5 cm, peso fetal 890 g, percentil 0,3. Exames laboratoriais: relação proteína na urina / creatinina na urina: 0,4. Doppler velocimetria: Artéria umbilical: diástole zero. Ducto venoso: IP: 0,45. Artéria cerebral média: IP: 0,7. Diante desse caso, assinale a alternativa que apresenta conduta correta.

Alternativas

  1. A) Indução do trabalho de parto com Misoprostol.
  2. B) Internação e controle de doppler diário até IG 34 semanas, se ducto venoso mantiver-se normal.
  3. C) Internação, corticoterapia, sulfato de magnésio e parto cesáreo.
  4. D) Interrupção da gestação via alta com urgência.
  5. E) Preparo do colo uterino com sonda de Foley.

Pérola Clínica

Diástole zero em umbilical + Ducto venoso normal < 34 sem → Internação + Corticoide + Vigilância diária.

Resumo-Chave

Na Restrição de Crescimento Fetal (RCF) estágio II (diástole zero em artéria umbilical), a conduta em fetos < 34 semanas com ducto venoso normal é a internação para vigilância rigorosa e corticoterapia, visando postergar o parto.

Contexto Educacional

O manejo da Restrição de Crescimento Fetal (RCF) precoce é um dos maiores desafios da obstetrícia moderna, exigindo um equilíbrio delicado entre os riscos da prematuridade extrema e os riscos de óbito fetal intrauterino. A classificação baseada em estágios de Doppler (como a proposta por Gratacós) ajuda a padronizar essa decisão. O Estágio II, definido pela diástole zero persistente na artéria umbilical, reflete uma insuficiência placentária grave (mais de 70% do leito placentário comprometido). Neste caso clínico, a paciente apresenta pré-eclâmpsia e um feto com RCF grave (percentil 0,3). No entanto, a estabilidade do ducto venoso permite uma conduta expectante sob vigilância para ganhar idade gestacional, o que reduz drasticamente a morbimortalidade neonatal. A internação é obrigatória para monitoramento contínuo e aplicação de protocolos de corticoterapia.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta na diástole zero de artéria umbilical antes de 34 semanas?

A presença de diástole zero na artéria umbilical caracteriza uma Restrição de Crescimento Fetal (RCF) Estágio II. Se o feto tiver menos de 34 semanas e o ducto venoso apresentar índice de pulsatilidade (IP) normal, a conduta recomendada é a internação hospitalar, administração de corticoterapia para maturação pulmonar e monitoramento diário da vitalidade fetal via Doppler. A interrupção da gestação nesse estágio é geralmente indicada após completar 34 semanas ou se houver deterioração dos parâmetros de vitalidade (como alteração no ducto venoso ou perfil biofísico fetal).

Quando o ducto venoso indica interrupção imediata?

O ducto venoso é o principal preditor de descompensação cardíaca fetal e risco de óbito iminente. A interrupção imediata da gestação (após corticoterapia e neuroproteção com sulfato de magnésio, se aplicável) é indicada quando o ducto venoso apresenta diástole reversa (onda A negativa) ou IP acima do percentil 95, especialmente em fetos acima de 26-28 semanas com viabilidade assegurada.

Qual o papel da artéria cerebral média no Doppler de RCF?

A artéria cerebral média (ACM) é utilizada para avaliar o fenômeno de 'centralização fetal'. Um IP reduzido na ACM indica vasodilatação cerebral em resposta à hipóxia crônica (redistribuição de fluxo). Embora seja um marcador de RCF (Estágio I), a centralização isolada não é indicação de parto imediato em prematuros extremos, servindo mais como um sinal de alerta para vigilância aumentada.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo